Luma virou o pavio da lâmpada. Ufa! A chama pulou, e sua sombra ficou enorme na parede de madeira. Ela riu, sentiu o chão ranger sob seus pés descalços e levantou a lâmpada para seguir a forma gigante para o próximo cômodo.
Rangeu perto da mesa. Rangeu perto do fogão. Rangeu perto da porta. Luma tentou cada lugar novamente, como uma musiquinha, e a casa respondeu com notas de madeira antiga. Ela inclinou a cabeça e foi procurar o assoalho mais barulhento.
Luma pisou no assoalho barulhento uma vez, duas vezes, três vezes. No terceiro passo, uma mariposa sonolenta saiu de trás da cortina e deu voltas ao redor da lâmpada. “Oh!” disse Luma, agachando-se com uma risada. Ela abriu a cortina um pouco e deixou a mariposa flutuar para longe.
Luma colocou a lâmpada na mesa e ficou bem parada. Tic-tac foi o relógio. Silêncio foi o vento na janela. Ela esfregou a madeira da cadeira lisa e observou a luz brilhar no chão como mel. Então, uma colher solta na prateleira fez um pequeno tilintar, e Luma se virou rápido.
Ela caminhou até a prateleira e tocou a colher. A cortina soprou novamente na janela. Luma ficou parada, então acenou com a cabeça. O tilintar, o tic-tac, o ranger e a chama suave soavam como a casa falando do seu jeito antigo. Ela levou a lâmpada de volta para o meio do cômodo.
Luma se enroscou no tapete trançado com a lâmpada ao seu lado. O chão fez um último ranger suave, como se também estivesse se acomodando. Ela sorriu para as paredes douradas, o relógio silencioso e o leve cheiro de óleo de lâmpada. Ela ficou bem onde estava, e a casinha pequena parecia completa ao seu redor.