Bia sentou-se no parquinho e abriu o vídeo na tablet. De repente, crianças de outro país apareceram na tela, correndo e rindo num campo verde e amplo. Ela digitou devagar: «Eu também queria estar aí». Apertou o botão enviar e ficou sozinha, com o coração cheio de vontade de estar lá.
A mensagem desapareceu da tela, e o parquinho ficou calmo. Bia olhou ao redor, observando o espaço vazio. Sua barriga apertou um pouco — curiosidade batendo junto com uma tristeza pequena, como se algo bom estivesse longe e ela não soubesse como chegar lá.
Horas depois, a tablet vibrou. Uma menina de outro lado do oceano havia respondido: «Seu comentário me fez sorrir! Gosta de borboletas?» Bia sorriu largo e digitou depressa: «Gosto sim!» As mensagens começaram a se enviar — uma, duas, muitas — como pingue-pongue entre duas crianças muito longe uma da outra.
No dia seguinte, Bia abriu o portão de casa e viu algo colado na madeira: um desenho colorido de uma borboleta enorme, com asas de todos os tons. Embaixo, uma mensagem escrita à mão dizia que vinha da menina do vídeo. Ela pegou o papel com as duas mãos e o encostou no peito.
Bia sentiu algo leve e aquecido, mas não sabia explicar. Foi como se o desenho trouxesse um pedacinho do sorriso da menina de outro lado do mar direto para dentro dela. Ela guardou o papel na mochila e saiu para passear, olhando o céu em busca de borboletas de verdade.
Na praça da vizinhança, Bia encontrou algo novo: um painel de recados onde os moradores colavam mensagens bonitas uns dos outros. Um dos papéis dizia: «Obrigada pelas palavras bonitas.» Ela leu duas vezes, depois três. Seus olhos brilharam.
Bia entendeu: a mensagem que ela tinha enviado na tablet havia virado um recado, e o recado havia virado um sorriso, e o sorriso havia virado outro recado. Era uma corrente. Ela correu para casa, o desenho da borboleta apertado contra o peito, decidida a enviar mais.
De volta à sala, Bia sentou-se na cama e abriu a tablet. Desta vez, ela escreveu para o grupo do bairro inteiro: «Que bom que nos conectamos!» Apertou enviar com firmeza e ficou esperando, com os dedos cruzados, enquanto o ícone girava na tela.
Minutos depois, a tela começou a pisclar. Respostas chegavam de todos os lados — um amigo do prédio, uma vizinha, até a menina do campo verde, que escreveu: «Obrigada por me fazer acreditar que alguém do outro lado do mundo pode me entender.»
Bia olhou pela janela e viu a cidade toda brilhando — janelas acesas, luzes de postes, pessoas se movendo lá fora. Cada uma delas poderia receber uma mensagem, e cada mensagem poderia mudar um pedacinho do dia de alguém. Ela fechou os olhos e pensou: «Eu fiz isso acontecer.»
Na manhã seguinte, Bia encontrou outro recado no painel da praça: «Sua mensagem me fez sorrir! — Dona Lúcia, 78 anos.» Ela colou um novo desenho de uma borboleta e escreveu: «A próxima palavra bonita é sua!» E saiu correndo, pronta para encontrar novas histórias para contar.
Bia sentou-se no parquinho novamente e abriu a tablet. Desta vez, ela não digitou nada — apenas observou. As crianças do vídeo ainda brincavam no campo verde, mas agora Bia sabia que tinha uma amiga lá do outro lado do oceano. Ela sorriu, guardou a tablet e levantou-se para brincar.