Sofia sobe as escadas de pedra do jardim e estica o braço na direção do céu, tentando alcançar a estrela mais brilhante que conhece. A brisa gelada roça seu rosto enquanto ela sussurra: — Você está pensando em mim também?
Nuvens espessas, cor de cinza-bordega, engolem o brilho da estrela. Sofia aperta os punhos, os dedos afundando na palma. Ela corre para dentro de casa e pega o caderno antigo — aquele com os desenhos que ela enviou nas cartas. As páginas crepitam sob seus dedos quando ela folheia.
Na varanda, Sofia faz uma fila de barquinhos de papel e os distribui com cuidado. Ela escreve nomes de estrelas no costado de cada um. Um gato passante para e cheira um deles — mas Sofia balança a mão. — Esperem aí — diz ela, e segue distribuindo seus pequenos navios para o céu.
De repente, a nuvem mais grossa se rasga — e a estrela que Sofia mais ama pisca três vezes, exatamente como ela fazia antes de partir. Ploc. Ploc. Ploc. Os barquinhos de papel tremem no vento como se estivessem prestes a navegar.
Sofia leva a mão ao peito. Não porque doa. Mas porque algo grande e quentinho está acontecendo ali dentro. Os barquinhos começam a deslizar, um por um, descendo a varanda como se o vento os empurrasse para o mar invisível do céu.
Sofia deita na grama úmida e sorri enquanto a estrela continua piscando, piscando, piscando. Cada pisca é uma resposta. Cada resposta é um fio que não se rompeu.
Ela se levanta devagar, vai até a janela da cozinha e segura o dedo mindinho contra o vidro frio. — Até amanhã — sussurra ela. E o céu responde com um clarão suave que ilumina todo o quintal.
O clarão suave se espalha pelo jardim, pintando as folhas de prata e os degraus de mármore. A estrela pisca uma última vez — um olhar de despedida que também é um até logo. Sofia vira-se para dentro de casa, sorrindo, enquanto o céu fica de guarda sobre o quintal.