A chuva batia na janela. Elior se enfiou na macia poltrona ao lado do Vovô. “Conte-me uma história sobre Yahweh esta noite,” ele disse. O relógio fazia tic-tac sob a luz quente da lâmpada, e Elior puxou o cobertor até o queixo.
O Vovô abriu a grande Bíblia da família sobre os joelhos. As páginas finas sussurravam. Ele contou como Yahweh fez o vasto céu e ainda chamava as pessoas pelo nome. Elior olhou para a janela escura, depois para sua pequena mão sobre o cobertor. “Yahweh realmente pode ver um menino como eu?” ele perguntou.
O Vovô apontou para a chuva escorrendo pelo vidro. “Yahweh vê cada gota,” ele disse. Então ele tocou o nariz de Elior. “E cada Elior.” Elior deu uma risadinha e se aproximou mais. O quarto cheirava a chá e livros antigos.
O Vovô contou como Yahweh guiou as pessoas por lugares difíceis. Então a lâmpada piscou uma vez, duas vezes, e Elior pulou. Sombras balançavam na parede como chapéus gigantes dançantes. Elior agarrou a manga do Vovô. O Vovô riu. “Mesmo com uma lâmpada piscando, a história permanece.”
Um forte trovão ecoou do lado de fora. “E se eu for pequeno demais?” Elior sussurrou. O Vovô fechou a Bíblia gentilmente e colocou uma mão sobre ela. “Yahweh é grande o suficiente para o trovão e gentil o suficiente para Elior,” ele disse. A chuva soava mais suave contra a janela.
O Vovô levou Elior para a cama. Pelo corredor, o relógio continuava a marcar o tempo. Elior sussurrou as palavras novamente, “Grande o suficiente para o trovão, gentil o suficiente para Elior.” Debruçado sobre os cobertores, com a chuva batendo no telhado, ele sorriu na luz fraca e deixou as palavras ficarem com ele.