Pétala se curvou até o chão, suas pétalas cor-de-rosa murchas como papel veludo, e seus caules tremeram de sede. "Estou com tanta fome e sede!" gemia ela, enquanto uma formiguinha passava coçando a barriga, sem parar.
Pétala pediu à nuvem cinzenta que despejasse chuva sobre ela, mas a nuvem disse: "Vá buscar sua própria água." Pétala suspirou e olhou para o chão seco.
Depois pediu ao sol que se escondesse para não queimá-la, mas o sol respondeu: "Proteja-se com suas próprias folhas." Pétala recuou, triste.
Pétala ficou com tanta raiva que bateu seu caule no chão e gritou uma lei: "A nuvem deve chover e o sol deve esconder!" Mas ninguém obedeceu.
A lei só fez todos se afastarem. Uma abelhinha zumbiu triste e foi embora. Pétala ficou sozinha no jardim vazio.
Seca e sozinha, Pétala olhou para baixo e viu suas raízes rasas, fininhas, sem coragem de crescer. Ela pensou: nunca tinha crescido sozinha.
Com coragem, Pétala empurrou a terra para baixo, esticou seus caules para cima. As pétalas começaram a se abrir devagar, tomando sol e bebendo orvalho.
Pétala cresceu alta e forte. Suas pétalas brilhavam como seda molhada. Ela sorria, pela primeira vez, sem esperar nada de ninguém.
Do seu lado, uma nova florinha nasceu. Pétala olhou para ela com carinho e pensou: eu posso cuidar de alguém.
Pétala regou a florinha com gotas do próprio orvalho. A pequena flor sorriu, e Pétala sentiu que estava crescendo também.
O jardim inteiro parecia cantar. O sol não queimava mais. A nuvem passou por cima e deixou cair um pouquinho de chuva.
Pétala cuidava da florinha como quem cuida de si mesma. E assim, no jardim, ela finalmente encontrou o seu lugar — sozinha, mas nunca mais solitária.