Lumi levanta a mão na sala pequena. "E se a Terra fosse plana?" O giz range no quadro.
"Impossível!" As crianças apontam e riem. A professora ergue a sobrancelha. A mão de Lumi continua no ar.
TAP. TAP. TAP. O sapato de Lumi bate no chão. Ela não senta. Ainda não.
Estantes até o teto. Cheiro de papel velho e chuva. Um raio de luz corta a poeira da biblioteca antiga.
Lumi puxa uma pasta empoeirada da prateleira alta. O papel cheira a chuva e madeira. Dentro, letra em tinta preta, miúda.
"Perguntemos se a Lua nos vê. Ninguém vai rir." Ela vira a página. Outra carta espera ali, com a tinta quase apagada.
"Impossível. (Estranhamente, perguntou-se.)" A poeira dança no fio de luz. Os dedos dela apertam a borda da carta.
O atlas range entre as mãos dela. Um adesivo dourado grita: "TODAS AS GRANDES PERGUNTAS ERAM CHAMADAS DE IMPOSSÍVEIS." Um foguete de lápis. Ao lado, "impossível" riscado.
Última página: a Terra redonda, um ponto de interrogação. Na margem, azul grande — "PERGUNTEI." O livro range baixinho. Os dedos apertam a capa.
Ela escreve ao lado de uma estrelinha: "E por que a Lua não cai?" O lunar estica um fio dourado na parede. A cidade está quieta. Ela fecha o caderno. Capa: "PERGUNTAS."