Capítulo 1 — O caminho que levava ao castelo♡ •*´¨)✿‿✿(¸.•´ (¸.• ✿‿✿ .•*¨). ♡ Era uma vez uma menina chamada Iolanda, que tinha um coração cheio de carinho e uma cabeça tão cheia de ideias que, às vezes, nem ela mesma conseguia acompanhar os próprios pensamentos! Iolanda era curiosa, esperta e muito amorosa. E tinha um talento especial para descobrir aquilo que quase ninguém percebia. Enquanto algumas pessoas passavam apressadas pelos caminhos, ela reparava nas formigas carregando folhas, nas nuvens que pareciam animais e nas flores que se inclinavam quando o vento soprava. Naquela manhã, porém, seus olhos estavam voltados para um lugar muito mais misterioso. Ao longe, erguia-se um castelo de torres altas, telhados azulados e janelas que brilhavam sob a luz do sol. Parecia ter saído de um livro de contos de fadas. Ao redor dele, um jardim se espalhava como um imenso tapete verde, enfeitado por rosas cor-de-rosa, margaridas brancas e pequenas flores que Iolanda nunca tinha visto. — Aposto que esse jardim esconde alguma coisa! — anunciou ela, ajeitando a coroa de flores que usava nos cabelos. Ninguém lhe havia contado que existia um segredo naquele lugar. Mas Iolanda tinha uma teoria: jardins tão bonitos não podiam ser apenas jardins. Precisavam guardar histórias! Ela seguiu pelo caminho de pedras, observando cada detalhe de seu vestido azul e rosa. Quando chegou perto de uma cerca branca, viu uma borboleta pousar sobre uma rosa. — Espere por mim! — pediu, como se a borboleta pudesse entender. A borboleta abriu as asas, voou por cima da cerca e desapareceu entre as flores. Iolanda sorriu. — Muito bem. Se você não quer me contar o segredo, vou ter de descobri-lo sozinha! E foi assim, com os olhos curiosos e o coração cheio de perguntas, que começou a aventura mais extraordinária de sua vida.
Capítulo 2 — A cerca das rosas dançarinas ♡ •*´¨)✿‿✿(¸.•´ (¸.• ✿‿✿ .•*¨). ♡ A cerca branca parecia comum à primeira vista. Tinha pequenas marcas da chuva, algumas ripas tortas e rosas que cresciam por entre suas frestas. Mas Iolanda percebeu algo estranho: sempre que ela se aproximava de uma flor, suas pétalas tremiam delicadamente, como se estivessem tentando lhe dizer alguma coisa. — Bom dia, rosas! — cumprimentou. Uma pétala cor-de-rosa desprendeu-se do galho e pousou em seu ombro. — Isso foi um cumprimento? — perguntou Iolanda, arregalando os olhos. — Porque, se foi, achei muito educado! Ela deu uma risadinha e segurou a cerca para espiar melhor o outro lado. O vento, que até então soprava mansinho, resolveu brincar. Passou entre as árvores, levantou a saia do vestido e fez uma chuva de pétalas rodopiar pelo ar. Iolanda girou sobre os próprios pés, tentando pegar algumas. — Uma! Duas! Três! Ah, não! Essa escapou! Quando finalmente conseguiu agarrar uma pétala, percebeu que ela brilhava como se tivesse recebido um pouquinho de sol. A menina ficou séria por um instante. — Você não é uma pétala comum, não é? A florzinha brilhou novamente, indicando uma direção entre os arbustos. Iolanda olhou para a esquerda. Depois para a direita. — Ah, entendi! É por ali! Na verdade, ela não tinha entendido coisa nenhuma. Mas isso nunca foi motivo para desistir de uma boa aventura. E, com a pétala guardada na mão, começou a procurar uma passagem.
Capítulo 3 — A portinha escondida♡ *´¨)✿‿✿(¸.•´ (¸.• ✿‿✿ .•*¨) Iolanda caminhou ao redor da cerca, afastando delicadamente os ramos das roseiras. Procurou atrás de um arbusto, espiou entre duas árvores e até olhou embaixo de uma pedra grande. Nada. — Se eu fosse uma portinha secreta, onde me esconderia? — perguntou a si mesma. Pensou um pouquinho. — Num lugar onde ninguém tivesse a ideia de procurar! Então, em vez de continuar olhando para a frente, abaixou-se e examinou a parte de baixo da cerca. Lá estava ela! Uma pequena portinha de madeira, quase inteiramente coberta por folhas e flores, tinha uma maçaneta dourada em forma de estrela. Iolanda abriu um sorriso vitorioso. — Eu sabia! Meu cérebro não me deixa em paz nem quando estou passeando! Puxou a maçaneta. A porta não se moveu. Tentou novamente. Nada. — Ah, é assim? Você quer brincar de teimosa comigo? Iolanda examinou a fechadura e encontrou um pequeno desenho de flor. Tirou do bolso a pétala brilhante e aproximou-a do desenho. Por um instante, tudo ficou silencioso. Então a fechadura emitiu um som suave, como um sininho. A portinha se abriu devagar. Do outro lado havia um jardim diferente de todos os que ela conhecia. As árvores eram altas, os caminhos pareciam iluminados por dentro e as flores exibiam cores tão delicadas que pareciam pintadas com aquarela. Iolanda respirou fundo. — Uau! Entrou com cuidado, sem imaginar que aquele lugar não aparecia nos mapas porque só se revelava a quem chegasse com curiosidade e um coração disposto a se maravilhar. Assim que passou pela porta, ouviu uma voz baixinha: — Finalmente! Iolanda virou-se depressa. Não havia ninguém. — Finalmente o quê? — perguntou. Uma folha balançou sobre sua cabeça. E a aventura ficou ainda mais interessante.
Capítulo 4 — As flores que mudavam de cor♡ *´¨)✿‿✿(¸.•´ (¸.• ✿‿✿ .•*¨) O jardim parecia ter acordado especialmente para receber Iolanda. Quando ela tocava uma flor amarela, suas pétalas ficavam alaranjadas. Quando acariciava uma rosa branca, pequenos reflexos cor-de-rosa surgiam em suas bordas. Uma flor azul, ao receber um sopro delicado, transformava-se em lilás. Iolanda estava encantada. — Se eu contar isso lá em casa, ninguém vai acreditar! Resolveu fazer uma experiência. Pegou uma folha caída, colocou-a perto de uma flor azul e soprou três vezes. Nada aconteceu. Soprou mais forte. A flor balançou tanto que lançou uma nuvem de pólen sobre o nariz da menina. — Atchim! Um passarinho escondido nos galhos soltou um canto que parecia uma gargalhada. Iolanda pôs as mãos na cintura. — Muito engraçado, senhor passarinho. Da próxima vez, experimente fazer cócegas em alguém do seu tamanho! O passarinho cantou novamente. Ela também caiu na risada. Enquanto brincava, percebeu que o sol começava a descer no horizonte. O céu ganhava tons de rosa, lilás e dourado, e o castelo parecia brilhar ainda mais. Foi então que avistou, entre as folhas secas, alguma coisa metálica. Uma chave! Iolanda correu até ela, mas, quando se abaixou para pegá-la, uma rajada de vento espalhou as folhas pelo chão. — Não, não, não! Voltem aqui! A menina procurou entre os arbustos, afastou duas folhas grandes e examinou cada pedacinho do caminho. A chave havia desaparecido. E, de repente, o jardim que parecia conhecer todos os segredos também parecia guardar um mistério que Iolanda ainda não sabia resolver.
Capítulo 5 — O lago que guardava imagens♡ *´¨)✿‿✿(¸.•´ (¸.• ✿‿✿ .•*¨) Cansada de procurar, Iolanda encontrou um pequeno lago cercado por grama macia e flores silvestres. Sentou-se à beira da água e ajeitou a saia do vestido sobre a grama. — Só cinco minutinhos de descanso — anunciou. — Depois volto à investigação! A água estava tão tranquila que parecia um enorme espelho. Iolanda inclinou-se um pouquinho e viu seu próprio rosto refletido. Os cabelos ondulados emolduravam suas bochechas, a coroa de flores enfeitava sua cabeça e o vestido azul e rosa parecia ainda mais bonito refletido na água. Ela sorriu. A menina do lago sorriu também. Iolanda levantou a mão direita. A imagem fez o mesmo. Ela inclinou a cabeça para um lado, depois para o outro. — Você está me imitando! — exclamou. Uma brisa tocou a superfície do lago, formando pequenas ondas. O reflexo se desfez por um instante e voltou a aparecer. Foi então que Iolanda percebeu algo extraordinário: não era apenas sua imagem que estava refletida na água. As árvores, as flores, o céu e até as nuvens apareciam espelhados, formando um segundo jardim de cabeça para baixo. Ela ficou admirando aquela beleza. — Parece que existe outro mundo aqui embaixo! Uma libélula pousou numa pedra próxima. Iolanda acompanhou seu voo e viu um peixinho surgir na superfície. — Você sabe onde está a chave perdida? — perguntou baixinho. O peixinho mergulhou. Iolanda riu. — Tudo bem. Não precisa contar agora. Antes de se levantar, olhou mais uma vez para o lago. Seu reflexo parecia tranquilo, como se lhe lembrasse de que até as maiores aventuras precisam de momentos de descanso. E ela guardou aquela imagem na memória: o céu colorido, as flores à margem e a menina que sorria para si mesma.
Capítulo 6 — O caminho das rosas♡ *´¨)✿‿✿(¸.•´ (¸.• ✿‿✿ .•*¨) Depois do descanso, Iolanda voltou a caminhar pelo jardim. Um caminho de pedras claras serpenteava entre canteiros de rosas e levava até uma parte do castelo que ela ainda não tinha explorado. De um lado, as roseiras formavam um arco florido. Do outro, pequenas margaridas balançavam sob a brisa. Iolanda seguia contando os passos. — Dezessete, dezoito, dezenove… Vinte! Pronto. Se eu precisar voltar, já sei quantos passos dar. Naquele instante, uma borboleta amarela pousou no cinto de seu vestido. Iolanda parou imediatamente. — Olá, amiguinha. Você também está passeando? A borboleta abriu as asas e voou até uma rosa vermelha. Depois, seguiu para uma margarida branca e finalmente pousou numa pequena flor azul escondida perto do caminho. Iolanda percebeu que, por onde a borboleta passava, algumas flores se abriam. Ela se aproximou da flor azul e encontrou um minúsculo papel enrolado em seu caule. Com cuidado, desenrolou-o. Havia apenas uma frase: Quem procura apenas com os olhos pode deixar passar aquilo que o coração já encontrou. Iolanda leu novamente. — Hum… Isso parece importante. Mas também parece coisa de adulto que gosta de falar difícil! Dobrou o papel e guardou-o no bolso. Continuou andando, agora prestando atenção não apenas nas coisas bonitas, mas também nos pequenos detalhes: o perfume das rosas, o som da água ao longe e o canto dos pássaros. Talvez a chave não estivesse tão longe. Talvez ela precisasse aprender a procurar de um jeito diferente.
Capítulo 7 — A grande confusão na cerca♡ *´¨)✿‿✿(¸.•´ (¸.• ✿‿✿ .•*¨) Ao chegar a outra parte do jardim, Iolanda encontrou uma cerca de madeira que lhe permitiria observar o caminho do outro lado. A vista era linda. As flores se estendiam até onde os olhos alcançavam, e as pétalas brancas dançavam no ar. Iolanda, naturalmente, teve uma ideia. — Se eu subir um pouquinho, consigo enxergar muito melhor! Segurou a parte de cima da cerca e colocou um pé num apoio de madeira. Mas o vestido era rodado, os sapatos escorregavam e o vento parecia determinado a atrapalhar. Ela tentou novamente. Um pé para cima, uma mão para a frente… Ops! O sapato escorregou. Iolanda conseguiu se equilibrar, mas sua coroa de flores ficou pendurada numa ripa. — Ah, não! Minha coroa! Ela se virou para recuperá-la e acabou ficando numa posição tão engraçada que começou a rir antes mesmo de conseguir sair dali. Um coelho que passava entre as flores parou para observá-la. — Nem pense em rir de mim! — avisou Iolanda. O coelho mexeu o focinho. — Eu sei que estou parecendo uma bandeira ao vento! Finalmente, a menina desceu com cuidado, recuperou a coroa e ajeitou os cabelos. Foi quando percebeu que uma das ripas da cerca estava solta. Atrás dela havia um pequeno espaço por onde se enxergava um caminho estreito. Iolanda sorriu. Aquela trapalhada tinha lhe mostrado uma passagem que talvez ninguém mais tivesse notado. — Está vendo? Até os planos que dão errado podem ajudar! KkkkkkkKkkkkkJun Dessa vez, decidiu não subir na cerca. Afinal, ser esperta também significava saber quando era melhor procurar outro caminho.
Capítulo 8 — A floresta dos caminhos luminosos♡ *´¨)✿‿✿(¸.•´ (¸.• ✿‿✿ .•*¨) A passagem levou Iolanda até uma floresta. As árvores eram tão altas que seus galhos pareciam abraçar o céu. A luz atravessava as folhas e desenhava manchas douradas no chão. Iolanda caminhou devagar, encantada com o silêncio. Então percebeu que algumas raízes brilhavam suavemente. Uma linha dourada apareceu entre duas árvores. Depois outra. As linhas formaram um caminho luminoso que seguia floresta adentro. — Ah, agora vocês estão querendo me mostrar alguma coisa! Ela acompanhou o brilho, mas logo chegou a uma bifurcação. O caminho se dividia em três. Um seguia para a esquerda, outro para a direita e o terceiro desaparecia atrás de um tronco enorme. Iolanda cruzou os braços. — Se eu fosse um caminho mágico, qual seria o mais interessante? Escolheu o terceiro, é claro. Atrás do tronco encontrou uma pequena clareira, onde flores roxas cresciam em círculos perfeitos. No centro havia uma pedra com o desenho de uma estrela. Iolanda se ajoelhou para examiná-la. Ao tocar a pedra, ouviu um som delicado, semelhante ao de pequenas taças de cristal. As linhas douradas do chão se iluminaram por alguns segundos e formaram uma seta apontando para a saída da floresta. A menina sorriu. — Obrigada, floresta. Você é muito melhor do que uma placa de sinalização! Antes de partir, agradeceu às árvores, mesmo sem saber se elas podiam ouvi-la. E seguiu o caminho luminoso, levando consigo uma certeza: às vezes, a coragem não é deixar de sentir medo, mas dar o próximo passo mesmo quando ainda não sabemos o que encontraremos.
Capítulo 9 — A dança no jardim encantado♡ *´¨)✿‿✿(¸.•´ (¸.• ✿‿✿ .•*¨) Quando saiu da floresta, Iolanda chegou a um campo coberto de flores. O sol estava baixo, e o castelo se erguia ao fundo, iluminado por uma luz rosada. Uma brisa começou a soprar. As flores balançaram, as folhas farfalharam e as pétalas se ergueram do chão. Iolanda estendeu os braços. — Se o jardim está dançando, eu também posso dançar! Deu uma volta, depois outra. A saia rodada acompanhou seus movimentos, e as flores pareceram se mover no mesmo ritmo. Ela inventou uma dança na qual precisava pisar apenas nas pedras, girar quando encontrasse uma margarida e bater palmas sempre que uma borboleta passasse. A regra era simples: quem errasse teria de fazer uma careta. Como estava sozinha, Iolanda era ao mesmo tempo a juíza, a participante e a responsável por todas as caretas. — Muito bem, senhorita Iolanda! — anunciou com voz solene. — Sua apresentação foi excelente, apesar daquele giro completamente desnecessário! E fez uma reverência para ninguém. Foi então que ouviu um tilintar perto do castelo. A menina parou de dançar. O som vinha de algum lugar próximo ao portão, como se uma pequena chave tivesse batido contra uma pedra. Iolanda correu alguns passos naquela direção, mas não encontrou ninguém. Apenas folhas secas, flores e um caminho que desaparecia atrás de um arbusto. Ela respirou fundo. — Tudo bem. Ainda não descobri o segredo. Mas estou cada vez mais perto! E voltou a caminhar, agora com uma nova missão: descobrir de onde vinha aquele misterioso tilintar.
Capítulo 10 — O vestido e o vento brincalhão♡ *´¨)✿‿✿(¸.•´ (¸.• ✿‿✿ .•*¨) Perto do lago, Iolanda encontrou um espaço aberto, cercado por flores e grama verdinha. O vento estava mais forte, fazendo as pétalas voarem como pequenos barquinhos cor-de-rosa. Ela segurou as pontas do vestido e girou devagar. A saia se abriu ao redor de suas pernas, formando um círculo de cores. — Olhem só! Parece uma flor gigante! Girou mais uma vez. O vento soprou bem naquela hora, espalhando pétalas por todo o caminho. Algumas pousaram em seus cabelos, outras ficaram presas na barra do vestido. Iolanda começou a recolhê-las, uma por uma. — Esta vai para a minha coleção. Esta também. E esta… esta parece uma estrelinha! Enquanto recolhia as pétalas, encontrou uma pequena pena branca. Depois, um botão dourado que parecia ter caído de alguma roupa antiga. Guardou ambos no bolso. Não encontrou a chave, mas descobriu que o jardim estava cheio de pequenos tesouros. Uma pedrinha lisa, uma folha em forma de coração, uma flor com cinco cores diferentes… Iolanda decidiu que não precisava levar tudo para casa. Bastava observar, apreciar e guardar as lembranças. Sentou-se por um momento e olhou para o lago. O vento começou a diminuir. A água voltou a ficar tranquila, e o reflexo das árvores reapareceu. Ela sorriu. — Acho que o jardim está tentando me ensinar alguma coisa. Ainda não sabia exatamente o quê. Mas estava gostando muito de aprender.
Capítulo 11 — O labirinto de rosas e livro♡ *´¨)✿‿✿(¸.•´ (¸.• ✿‿✿ .•*¨) Ao seguir pelo caminho de pedras, Iolanda chegou a um lugar surpreendente. Entre as roseiras havia pequenas mesas de madeira, banquinhos e livros espalhados pelo jardim. Alguns estavam abertos sobre a grama. Outros descansavam em pilhas organizadas junto a uma cerca coberta de flores. — Uma biblioteca ao ar livre! — exclamou. Iolanda adorava descobrir histórias, mas também adorava fazer perguntas. Por isso, escolheu um livro de capa verde e começou a folheá-lo. As páginas estavam cheias de desenhos de pássaros, árvores, flores e pequenos mapas. No meio do livro encontrou uma ilustração do próprio jardim. Abaixo dela estava escrito: O caminho certo não é sempre o mais curto. Às vezes, é aquele que nos permite descobrir mais. Iolanda pensou na portinha escondida, na floresta e na cerca em que quase ficara presa. — É verdade! Se eu tivesse ido direto ao castelo, teria perdido tudo isso! Continuou lendo até encontrar o desenho de uma chave dourada. Ao lado havia um mapa com três símbolos: uma rosa, uma estrela e um lago. Ela reconheceu os três. A rosa ficava perto da cerca. A estrela estava na floresta. E o lago… O lago era o lugar onde ela tinha visto seu reflexo. Iolanda fechou o livro com cuidado. — Agora temos uma investigação de verdade! Pegou o mapa, guardou-o no bolso e se levantou. Pela primeira vez, já não estava procurando apenas uma chave perdida. Queria descobrir por que aquele jardim havia preparado tantas pistas para ela.
Capítulo 12 — A lição da cerca♡ *´¨)✿‿✿(¸.•´ (¸.• ✿‿✿ .•*¨) Iolanda voltou à cerca de madeira que havia encontrado anteriormente. Dessa vez, não tentou subir. Observou a madeira, examinou os espaços entre as ripas e procurou o desenho de uma rosa que aparecia no mapa. Encontrou-o quase escondido sob uma camada de musgo. Quando tocou o pequeno desenho, uma das ripas se moveu levemente. Atrás dela havia um compartimento estreito. Dentro, repousava um envelope amarelado. Iolanda abriu-o com cuidado. A letra era delicada, e a mensagem parecia ter sido escrita havia muito tempo. Para quem encontrar estas palavras: O jardim pertence a todos que sabem cuidar dele. Suas flores não pedem riquezas, suas árvores não pedem presentes e seu lago não pede aplausos. Tudo o que desejam é alguém disposto a enxergar sua beleza e respeitar sua vida. Iolanda leu em silêncio. Depois olhou ao redor. Havia flores que precisavam de água, folhas acumuladas junto às raízes e um pequeno ramo quebrado pelo vento. Ela começou a arrumar o que podia, recolhendo apenas as folhas caídas e colocando o ramo delicadamente junto à terra. — Pronto. Não posso resolver todos os problemas do jardim, mas posso começar por aqui. Quando terminou, percebeu uma pequena estrela desenhada no verso do envelope. A mesma estrela da pedra que encontrara na floresta! Iolanda guardou a carta e seguiu em frente. Agora entendia que a aventura não se resumia a encontrar objetos escondidos. Havia coisas importantes que só apareciam quando alguém parava para cuidar delas.
Capítulo 13 — O segredo entre as árvores♡ *´¨)✿‿✿(¸.•´ (¸.• ✿‿✿ .•*¨) O mapa levou Iolanda novamente à floresta. Dessa vez, ela reconheceu as árvores e encontrou sem dificuldade a clareira das flores roxas. A pedra com a estrela continuava no mesmo lugar. Mas havia algo diferente: ao redor dela, pequenas luzes dançavam entre as folhas. Iolanda se aproximou e percebeu que eram vagalumes. — Vocês estão fazendo uma festa e esqueceram de me convidar? Os pontinhos luminosos piscaram, como se respondessem. Ela riu e observou o chão. Uma das raízes formava um desenho parecido com uma seta, apontando para um trecho da floresta que ainda não havia explorado. Seguiu naquela direção. Entre dois troncos encontrou uma pequena fonte de água cristalina. Ao lado dela havia uma placa de pedra coberta por musgo. Iolanda limpou a superfície com a mão e leu: Para encontrar o que foi perdido, lembre-se do que realmente importa. A menina ficou pensativa. A chave abriria alguma porta? Revelaria algum tesouro? Seria a entrada de uma sala secreta no castelo? Sua imaginação começou a trabalhar tão depressa que ela precisou rir de si mesma. — Calma, Iolanda! Uma pergunta de cada vez! Sentou-se junto à fonte e relembrou tudo o que havia vivido naquele dia. As flores, o lago, as risadas, o mapa, a carta… Então percebeu que, em todos os lugares, havia encontrado alguma coisa valiosa, mesmo sem ter procurado por ela. Talvez a chave fosse importante. Mas a aventura já estava lhe dando presentes que não cabiam em nenhum bolso.
Capítulo 14 — O tesouro das folhas douradas♡ *´¨)✿‿✿(¸.•´ (¸.• ✿‿✿ .•*¨) Quando Iolanda deixou a floresta, o jardim estava coberto por folhas de diferentes tons: amarelo, cobre, laranja e vermelho. Ela se ajoelhou para observar uma folha especialmente bonita. Tinha pequenas linhas que pareciam desenhadas à mão. Ao lado dela, outra folha brilhava sob a luz do sol. Iolanda começou a reuni-las, separando as maiores das menores. — Esta parece uma mãozinha. Esta parece uma estrela. E esta… bem, esta parece uma batata! Deu uma risada tão espontânea que um passarinho saiu voando de um galho próximo. Entre as folhas, porém, havia algo diferente. Uma pequena peça dourada, com o formato de uma chave. Iolanda prendeu a respiração. Pegou-a com cuidado e limpou a terra com a ponta do vestido. Era mesmo uma chave! Mas, ao examiná-la melhor, percebeu que ela tinha uma pequena marca em forma de rosa, exatamente como o símbolo do mapa. — Encontrei você! A menina apertou a chave entre os dedos, feliz por ter finalmente encontrado aquilo que procurava. Mas não saiu correndo imediatamente para o castelo. Antes, terminou de juntar as folhas, colocou-as em um pequeno montinho junto às árvores e agradeceu ao jardim por aquele presente. Depois se levantou, ajeitou a coroa de flores e olhou na direção das torres. Era hora de descobrir o que aquela chave abria. E, embora estivesse ansiosa, Iolanda sentiu uma tranquilidade diferente. Não precisava correr. As melhores descobertas mereciam ser feitas com atenção.
Capítulo 15 — O espelho do coração♡ *´¨)✿‿✿(¸.•´ (¸.• ✿‿✿ .•*¨) Antes de ir ao castelo, Iolanda voltou ao lago. Queria olhar mais uma vez para aquele espelho de água que havia lhe feito companhia durante a aventura. Ajoelhou-se na grama e observou o próprio reflexo. O rosto sorridente, os cabelos ondulados, a coroa de flores e o vestido colorido apareceram nítidos na superfície tranquila. Acima dela, o céu parecia continuar dentro da água. Iolanda ergueu os olhos para as árvores e depois voltou a olhar o reflexo. — Sabe de uma coisa? — disse baixinho. — Eu achei que precisava encontrar uma coisa extraordinária para este dia ser especial. Uma pequena onda tocou a margem. — Mas encontrei muito mais do que uma chave. Ela se lembrou da borboleta, do passarinho brincalhão, das flores que mudavam de cor e dos caminhos luminosos. Lembrou-se também de sua trapalhada na cerca e de como tinha rido de si mesma. — Acho que ser esperta não é saber todas as respostas. É continuar fazendo perguntas! Sorriu para a menina refletida na água. Naquele instante, uma brisa suave atravessou o jardim e espalhou algumas pétalas sobre o lago. Elas flutuaram delicadamente, sem esconder a imagem da princesa. Iolanda ficou observando até que as pétalas se afastassem. Depois se levantou, satisfeita. O jardim continuava cheio de segredos, mas ela havia descoberto algo que levaria consigo para sempre: a beleza de um lugar também nasce da maneira como o olhamos e do carinho que deixamos nele. Com a chave guardada no bolso, seguiu em direção ao castelo.
Capítulo 16—A magia que Iolanda levou para casa ♡ *´¨)✿‿✿(¸.•´ (¸.• ✿‿✿ .•*¨) O céu começava a escurecer quando Iolanda chegou ao caminho que levava ao castelo. As primeiras estrelas surgiam sobre as torres, e as luzes das janelas brilhavam como pequenos sóis. A menina aproximou-se do portão e examinou a fechadura. A chave dourada encaixou perfeitamente. Mas, quando ela tentou girá-la, ouviu um som delicado, parecido com o tilintar de sinos distantes. O portão se abriu apenas um pouquinho. Do outro lado, não havia um salão cheio de joias, nem baús repletos de moedas de ouro, nem uma montanha de presentes. Havia um pequeno jardim interno, iluminado por lanternas, com uma mesa de madeira e um livro aberto. Iolanda entrou devagar. Na primeira página do livro, encontrou uma mensagem: Este jardim floresce para quem tem olhos curiosos, mãos cuidadosas e um coração capaz de amar. Ela leu a frase duas vezes. Depois sorriu. — Então era isso! Não havia uma única resposta para todos os mistérios. Cada descoberta fazia parte de algo maior: a alegria de aprender, a coragem de experimentar, a importância de cuidar e a liberdade de continuar imaginando. Iolanda fechou o livro e agradeceu ao jardim, ao lago, às árvores e até ao passarinho que havia rido de sua trapalhada. Na saída, olhou uma última vez para as flores. — Não se preocupem. Voltarei para visitar vocês! O vento balançou as roseiras, espalhando pétalas pelo caminho. Iolanda seguiu para casa sob um céu cheio de estrelas, levando no bolso a pequena chave dourada e, dentro de si, uma coleção de lembranças que nenhum baú poderia guardar. E dizem que, nas noites tranquilas, quando a lua ilumina o jardim, uma pequena luz aparece perto da cerca branca. Talvez seja um vagalume. Talvez seja uma estrela que caiu do céu. Ou talvez seja apenas o jardim lembrando-se da menina que chegou fazendo perguntas, rindo de suas próprias travessuras e descobrindo que a maior magia de todas é continuar encantada com o mundo. Fim. Para Iolanda, com carinho: que você nunca perca a curiosidade de descobrir, a coragem de tentar, a alegria de brincar e a ternura de espalhar amor por onde passar. Vovó Cissa ✿‿✿