Ana e o Tédio

"Ana e o Tédio" é um livro ilustrado em estilo Guache com um menina, por Guest, para 6 a 9 anos — criado com Doodara, o criador de histórias com IA

por Guest · Guache · 6 a 9 anos · menina · 12 páginas

curious, cheerful, helpful

superar o tédio com criatividade

Ana chutou o cobertor estelar, saltou da cama e pisou no chão três vezes. Um, dois, três. Nada de bom pra fazer. A poeira dançava no raioluz.

Ela arrastou a caixa de giz de cera até a mesa e escolheu o azul. Fez uma linha rachada. Mordeu o lábio. Jogou o giz no chão — quicou uma vez, duas, e rolou pra sombra.

O barulho dos cicadas crescia. Ana marchou até o quintal verde. Era uma selva! Pegou um graveto e riscou o ar. Uma margaridinha voou e coçou seu braço. Antes que ela percebesse — atchim!

Sementes douradas voaram pra todo lado. Ana riu sozinha e correu até a varanda. Batucou na porta de tela e espiou a cozinha escura. Vovó separava feijões.

Os feijões derramados brilhavam como estrelas caídas no chão. Ana prendeu a respiração e começou a recolher. Colocou cada um no balcão — vermelho, âmbar, creme, branco. Um arco-íris espiralado.

Vovó soltou uma risada que tilintou como moedas na panela. Entregou um raminho de hortelã para a menina. Ela esmagou a folha entre os dedos — cheiro limpo e forte no ar quente.

Ana levou o arco-íris de feijão até a janela ensolarada. Cada semente parecia brilhar. A casa tremia com uma energia nova. Ela começou a cantarolar junto com os cicadas.

O dia continuava preguiçoso. Mas algo tinha mudado. Ana já não precisava de nada além do barulho dos insetos, do cheiro da hortelã e do arco-íris de feijão na janela.

Ana chutou o cobertor estelar e saiu da cama. Pisou três vezes. O barulho dos cicadas era maior agora. Ela sorriu. Tinha certeza de que ia gostar daquele dia.

Ela pegou a caixa de giz de cera, mas desta vez não escolheu o azul. Abriu a tampa inteira e começou a riscar o papel — linhas grossas e coloridas, sem medo de errar. Risos altos ecoaram pela cozinha.

Ana marchou até o quintal verde. Hoje não era mais só um quintal — era o palco dela. Pegou um graveto e fez um gesto dramático. As folhas das árvores aplaudiram.

Vovó saiu da cozinha e viu a menina no meio do jardim. Sorriu e disse: 'Minha pequena atriz.' Ana envergonhada riu. Vovó lhe entregou um raminho de hortelã. 'Pra cheirar e lembrar.'

Doodara

Ana e o Tédio

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