As pedras da calçada faziam barulho sob os pequenos sapatos de Flora. O vento assobiava forte nas folhas das grandes árvores. Era o fim da tarde e o céu já começava a ficar escuro.
De repente, um pedaço de papel de seda vermelho veio voando livre pelo ar. Ele grudou direto no rosto dela! Flora deu uma gargalhada alta, puxando o papel fino dos olhos com uma das mãos.
O pai recolheu o papel vermelho da calçada e parou os passos debaixo de um poste piscante. Ele abriu a mochila e tirou uma pequena armação redonda de bambu. "Vamos construir uma coisa", o pai falou com um sorriso de orelha a orelha.
Eles sentaram no banco de madeira áspera do parque central. O pai foi explicando pacientemente como dobrar as pontinhas e prender o papel na borda de madeira fina. Flora encostava o queixo nas mãos, prestando muita atenção na montagem.
Flora esticou a ponta da lanterna lá no alto com força. Mas o vento morno da noite empurrou o papel de volta para baixo, amassando um dos lados. Ela cruzou os braços e bateu o pé esquerdo no chão, encarando o brinquedo meio torto.
Os dois caminharam até o meio do parque, onde a grama macia cheirava a terra molhada. O vento ali era bem mais fraco e tranquilo. Com a lanterna no chão, o pai riscou um fósforo de madeira longo para acender o pavio central.
Em apenas um segundo, um cachorrinho peludo passou correndo quase voando. "Au! Au!", ele latia agudo atrás de uma bola amarela quicando. O susto foi tão grande que o pai soltou a lanterna depressa, deixando a armação virar na grama!
Flora arrastou os dois pés para trás, arregalando bem os olhos. No segundo seguinte, ela apontou para o tombo exagerado da lanterna vazia e soltou uma gargalhada solta e gostosa. Os dois se abaixaram para erguer a armação no chão e arrumar o papel.
O pai acendeu o fósforo mais uma vez. A chama redonda amarela crescia, devagar, no meio da armação redonda, espantando a escuridão da noite. O papel vermelho estufou rápido, ficando bem gordinho e muito quente por fora, feito um pão recém-assado.
Flora sentiu que era a hora exata. Ela abriu as duas mãos de uma só vez, apontando os dedinhos para cima. A lanterna de papel começou a flutuar muito lentamente, balançando livre no ar. Ela jogou a cabeça para trás e soltou um longo "Uau!"
A bola de luz laranja subiu muito rápida pela escuridão pesada da noite e balançou com o vento no alto. Em poucos minutos, a lanterna subia tanto que passou a ser apenas uma estrela cintilante vermelha perdida num bando de nuvens cinzas gigantes.
Flora sentou na grama úmida noturna, colada lado a lado com o pai, balançando as perninhas na grama curta. Ela apertou seus dedos macios na mão grande e quente que a segurava de volta. "Para onde a gente vai passear amanhã, pai?"