As Palavras do Lumi

"As Palavras do Lumi" é um livro ilustrado em estilo Aquarela com um ouricinho, por Guest, para 6 a 9 anos — criado com Doodara, o criador de histórias com IA

por Guest · Aquarela · 6 a 9 anos · ouricinho · 8 páginas

shy, gentle, curious

Coragem para dizer o que sente

O jardim de flores silvestres ardia em dourado ao fim da tarde. Cravos vermelhos, margaridas brancas e botões verdes ondulavam na brisa fina. Pétalas caídas cobriam a terra como um tapete, e o cheiro de mel misturado com terra úmida subia em espirais pelo ar parado.

Lumi, agachado entre os cravos vermelhos, moveu os lábios bem devagar: «Gosto de... gosto de...» As palavras saíram como pedrinhas jogadas na água — deram uma volta, duas, e someram antes de tocar o fundo. Ele piscou, boca ainda aberta, e a frase derreteu no ar dourado do fim da tarde.

Ele tentou de novo, mais alto: «Gosto de brincar contigo!» Mas o «contigo» se torceu em «con-ti-tu-tuh...» antes de completar a sílaba. Uma borboleta amarela pousou bem na ponta do nariz dele, e Lumi assoprou com toda a força que tinha, fazendo-a fugir com um leve tremor na pétala de cravo ao lado.

O jardim inteiro pareceu enorme demais, um mar de pétalas sem beira. Lumi encolheu os espinhos contra a terra fria, tão baixo que os cravos ao lado quase encostaram nas suas costas. Ele ficou ali, um ponto vermelho entre flores, esperando que as palavras voltassem a caber na boca antes de tentar mais uma vez.

Do outro lado do canteiro, a coelhinha apareceu mordendo um talo de flor, mastigando devagar, orelhas para trás. Ela se aproximou pelo caminho de pétalas; Lumi abriu a boca, fechou, e só saiu um «hmpf» curto e ridículo, solto no ar como uma bolha pequena estourando.

A coelhinha parou de mastigar. Inclinou uma orelha comprida para o lado e esperou em silêncio absoluto, o talo esquecido entre os dentes. O jardim inteiro ficou quieto; só o zumbido de uma abelha ao longe preencheu o espaço entre os dois, fino como um fio de fumaça.

Lumi não levantou a voz. Sussurrou, baixo como um grão de areia caindo na grama: «Gosto de brincar contigo.» O jardim inteiro ficou parado, só a brisa mexendo nas pétalas. A coelhinha sorriu largo, mostrando os dentes frontais brancos, e respondeu na mesma voz baixinha, sem pressa: «Eu também gosto de ti!»

Eles correram pelo canteiro juntos, Lumi virando a cada flor, a coelhinha puxando um talo e jogando na cabeça dele. O sol desceu mais um dedo pelo horizonte, pintando os espinhos de laranja. Lumi riu — ou talvez fosse só um suspiro —, mas saiu em forma de risada, e o cravo mais alto balançou na brisa, como se estivesse aplaudindo.

Doodara

As Palavras do Lumi

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