A barriga da mamãe está grande e redondinha, como se escondesse um segredo enorme. Cecília encosta a orelha bem devagarinho. “Quando a gente voltar, tem surpresa”, diz ela, dando um beijo em Cecília.
Na casa da vovó, Cecília espera, espera. O relógio anda tão devagar! Então Cecília faz um desenho — com sóis brilhantes e estrelinhas — para aquele alguém pequenininho que ainda não conhece.
Trim, trim! O telefone! “Cecília, o bebê nasceu!” Cecília pula mais alto que o sofá — um pulo, dois pulos, três! A notícia boa borbulha por dentro feito refrigerante.
Uau… o bebê é tão pequenininho, todo enrugadinho e rosado, com dedinhos de nada. “Oi, neném”, sussurra Cecília, macio feito pluma. “Que bom ter você na nossa família.”
Presentes e flores cercam o bebê, e todo mundo se derrete ao redor do bercinho. Ninguém olha para cá. Cecília fica num canto, sentindo-se muito, muito pequenininho — do tamanho de um botão.
E então… uma mãozinha minúscula segura o dedo de Cecília. Aperta forte, forte, forte, e não solta mais. Cecília fica paradinho, sem se mexer, e um quentinho gostoso se espalha pelo coração inteiro.
Tem coisa que só criança grande sabe fazer! Tipo… buscar fralda na velocidade de um raio! “Ajudante Cecília, já!” Zum, zum: corredor vai, corredor vem, com a torre de fraldas mais alta do mundo!
Quando o bebê chora, Cecília canta uma musiquinha bem baixinho, macia, macia. E na hora da soneca, Cecília fica de guarda ao lado do bercinho, paradinho feito estátua. Psiu…
“Quando você crescer um pouquinho, eu te levo no escorregador, te ensino a fazer castelo de areia e te conto todas as coisas mais legais. Espera só: brincar junto vai ser bom demais!”
A mamãe prende uma medalha de estrela dourada em Cecília: “Parabéns! Agora você é do time dos grandes!” A medalha brilha, brilha. E o bebê… parece que sorriu também — um sorrisinho pequenininho, de quem dorme.