Eduarda acordou cedo. Calçou os sapatos furados, fez a mochila e saiu de casa. O sol ainda estava baixo, e o vento soprava frio no rosto dela.
Mas o ônibus passou sem parar. Ela correu atrás, mas não conseguiu alcançar. Então começou a caminhar — passos grandes, passos pequenos, passos muito pequenos.
Chegando na escola, Eduarda abriu a mochila e descobriu: o caderno tinha sumido! Revirou tudo. Um lápis caiu. Outro lápis caiu. Nada do caderno.
Anos depois, ela entrou na sala de aula com a bolsa velha. De repente — tac! A alça quebrou. Livros espalharam pelo chão. Ela se abaixou devagar para recolher tudo.
Ela recolheu cada livro, um por um. Passou a mão nos cabelos, respirou fundo, e entrou na sala.
Eduarda estudou muito. Leu sob luz fraca, anotou em cadernos emprestados, não desistiu. Um dia após o outro.
O tempo passou. Os sapatos furados ficaram ainda mais gastos. Mas ela continuou andando.
Finalmente, chegou o grande dia. Eduarda vestiu o traje de formatura e foi ao palco.
No palco, ela segurou o diploma com as duas mãos. O batom vermelho brilhava sob as luzes. Ela sorriu — um sorriso grande, inteiro.
O sorriso dela ficou para sempre. Ninguém consegue apagar.