O vento ergueu poeira no caminho da encosta. A palma dourada de Zynara tocou a penugem de um dente-de-leão. PUF! — uma luz branco-dourada engoliu todo o céu.
Ele puxou a mão de volta e a prensou contra as costas. Onde o dente-de-leão crescia, um anel de ouro derretido ainda cintilava na terra. Ele ficou olhando. Não se mexeu.
Dentro da escola, o vento assobiava pela janela aberta. Zynara juntou as mãos sobre a carteira. Ai-CHOO! O cotovelo bateu no copo d'água. BLAM. Um clarão dourado. O copo sumiu.
As crianças pisaram, pisaram, pisaram até a parede do fundo. Zynara escorregou para baixo da carteira, joelhos para cima, cotovelos para dentro. Só não se mexer, pensou ele. O vento uivava lá fora.
No parque varrido pelo vento, uma criancinha pequena apertava uma caixinha de suco congelada no banco, bochechas vermelhas inchando, lábio tremendo. Zynara parou. Ajoelhou-se, firme e quieto, uma palma brilhante estendida.
Sua palma lisa e brilhante tocou a caixinha gelada. Sem estouro. Sem clarão. Só uma gota dourada e suave, deslizando para dentro das pequenas mãozinhas dela em concha. Ela piscou. O suco estava morno.
A classe inteira saiu correndo da escola. Se aglomeraram ao redor dos joelhos de Zynara, respirando depressa. A criancinha estendeu uma segunda caixinha congelada. Todos se aproximaram. Mais. Mais. Mais.
Sua palma tocou a caixinha. Um brilho dourado e suave se espalhou, sem clarão, sem estouro. O suco borbulhou, morno e doce. A criancinha ergueu o copinho e gritou: "UY!"
Zynara sentou-se no banco, palma aberta sobre o joelho, brilhando firme e suave como uma lanterninha. As crianças se aninharam perto. Uma a uma, lhe passaram suas caixinhas congeladas.
O vento varria a luz dourada em círculos lentos pela grama do parque. Cada caixinha derretia, gota a gota. A palma de Zynara zumbia, pequena e firme, sob o céu aberto.