Giovanna se abaixa e segura a caixinha de veludo com as duas mãos, bem no meio do corredor do avião. 'São as alianças da tia Palloma e do tio Andy', ela sussurra para si mesma, sentindo o veludo macio contra as palmas. O motor zumba baixinho ao redor dela, como uma canção de ninar gigante.
A tripulante passa e Giovanna se encolhe um pouco, protegendo a caixinha com o corpo todo. 'Cuidado com ela', pensa, apertando os dedos ao redor das bordas. Gabriela, na cadeirinha ao lado, estica a mão e aponta para a janela, rindo de uma nuvem que parece um coelho.
O avião pousa em Lisboa e Giovanna se levanta devagar, sem soltar a caixinha nem por um segundo. Ela caminha pela mão da mãe Paula, sentindo o ar quente da cidade entrar pelo nariz — cheiro de sal, de café e de algo que ela não conhece. 'Chegamos!', diz o avô Pedro, e Giovanna sorri, orgulhosa.
A luz dourada de Lisboa banha as ruas de paralelepípedos enquanto a família caminha até a igreja. As paredes amarelas e laranjas das casas refletem no chão molhado. Giovanna avista o sino da igreja e aperta a caixinha com mais força.
No altar da igreja, Giovanna sobe os degraus de madeira com passos firmes e entrega a caixinha para a tia Palloma, que beija sua testa. O salão inteiro aplaude, mas Giovanna só ouve o coração dela bater forte e feliz, como um tambor de festa.
O salão inteiro aplaude e Giovanna recua um passo, olhar triste e tímido. Ela queria ter sido vista — como se aquilo importasse. Mas a mão da avó Paula a puxa suavemente para fora da luz.
Depois da cerimônia, Giovanna dança no meio da pista com os avós e a tia Jucelia, e de vez em quando olha para baixo para ter certeza de que suas alianças estão seguras no dedo da tia Palloma. Ela sorri de orelha a orelha — foi a guardiã da missão mais importante do casamento.
A festa continua e Giovanna se aproxima da mesa onde a tia Palloma descansou os braços. Com cuidado, ela pisa na ponta dos pés e toca levemente o dedo da tia — as alianças estão lá, firmes e brilhantes.
O avô Pedro chama Giovanna para near the window where the Lisbon night sparkles. 'Você foi a mais importante hoje, sabia?' Ele faz uma pausa. 'As alianças ficaram seguras porque você cuidou delas no avião.' Giovanna aperta a mão dele com força.
Giovanna olha para as alianças novamente. Elas brilhavam na luz da festa, mas o que mais importava era saber que estava tudo certo. Ela cumprira a missão.
Na volta para o aeroporto, Giovanna dorme no colo da avó Paula. A caixinha de veludo está dobrada e guardada dentro da bolsa da avó, mas Giovanna sonha que as alianças estão voando junto com o avião, brilhando como estrelas sobre Lisboa.
No avião, de volta a Curitiba, Giovanna acorda e pergunta: 'As alianças estão seguras?' A avó Paula sorri e mostra o brilho dourado nos próprios dedos. 'Estão', diz. Giovanna fecha os olhos, satisfeita. Lisboa ficou guardada no coração dela, junto com as alianças.