No meio de um jardim cheio de flores silvestres, ele se sentou e estendeu os braços. As mãos estavam abertas e quentes. Ele sorriu enquanto a brisa movia as pétalas ao redor.
Uma borboleta pousou no seu joelho. Ele ficou parado, feliz. As crianças começaram a chegar, uma por uma, atraídas pelo lugar.
Ele começou a contar uma história. Um menino agachado fazia cócegas na grama com um graveto, rindo baixinho. As flores ao redor pareciam balançar no ritmo da voz dele.
Outro menino esticou o braço para uma oliveira baixa. Puxou um galho — e caiu de bumbum na erva macia. Todos explodiram em risadas. Ele também riu.
Mais crianças chegaram, cada uma trazendo um raminho de flores. Ele as recebeu com um olhar doce. A história continuou, e o jardim parecia ficar ainda mais bonito.
Ele falou bem baixinho, como quem conta um segredo. E então as flores ao seu redor começaram a brilhar. Um brilho dourado, suave, como luz de dentro.
Trrr-trrr! Uma cigarrona cantou bem alto. As crianças ficaram caladas, os olhos arregalados de espanto. Ele sorriu, sem dizer nada.
Ele fechou os olhos devagar. As crianças, uma a uma, deitaram-se na grama. Ficaram lado a lado, como estrelas cadendo num campo verde.
A brisa passou devagar, mexendo as folhas das oliveiras. Sussurro suave. O jardim inteiro parecia respirar junto com elas.
Ele pegou um lenço claro e cobriu a primeira criança. Depois a segunda, a terceira. Cada uma recebeu o seu cobertinho, como quem abraça sem usar as mãos.
Quando todas estiveram cobertas, ele se sentou perto delas. Ficou ali, vigiando o sono com os olhos meio fechados. O jardim ficou em silêncio.
As estrelas apareceram uma a uma. Ele continuou ali, sozinho entre as flores, cuidando de tudo. O jardim dormia em paz.