Jhonnh corre pelo gramado do parque, a lupinha erguida e o caderno apertado contra o peito. Ele para bruscamente ao ver uma borboleta azul pousar numa flor amarela.
Ele marca um X furioso no caderno — mas a borboleta levanta voo antes que possa aproximar a lupinha. Não capturou nada. De novo.
Jhonnh avança por entre as árvores, espreitando por baixo de folhas e pedrinhas. Encontra uma joaninha vermelha com sete pintinhas perfeitas.
Ele a observa com a lupinha, anotando tudo no caderno. A joaninha caminha devagar sobre a página, riscando uma linha preta na tinta fresca.
De repente, algo pequeno e barulhento prende a atenção: uma formiga carrega uma folha verde imensa, muito maior que ela própria.
Jhonnh segura a respiração, a lupinha tremendo levemente na mão, e olha para o caderno em branco — a formiga não cabe em nenhuma anotação.
A formiga tropeça num grão de areia e cai de lado, mas se recompõe e continua caminhando, a folha ainda erguida como uma vela ao vento.
Jhonnh solta a lupinha, que cai macia sobre a grama, e se senta devagar ao lado do caminho da formiga, sem fazer nenhum barulho.
O sol começa a descer pelo parque, pintando o gramado de dourado. Jhonnh fica ali parado, olhando a formiga desaparecer entre as raízes.
Ele fecha o caderno sem escrever mais nada, guarda a lupinha no bolso, e caminha de volta para casa com um sorriso que não precisa de explicação.