Junior perua na copa mais alta e abre o bico forte. Um piado fininho sai, como um assobio sem força. De cima, ele ouve o sabiá cantando com voz grossa e o gavião fazendo twit-twit alto.
Junior tenta de novo, mais forte, mas só sai um chiado vergonhoso. Ele fecha os olhos e desce devagar pela árvore, os dedos da asa batendo no galho.
Vem até o rio, onde uma família de saguis brincava. Junior se aproxima e para quieto perto d'água.
De repente, o saguí mais novo para de correr, senta e olha para Junior com os bigodes relaxados. Dois macacos maiores param de brigar no mesmo galho.
Uma oncinha passa pelo matagal com um miado bravo. Junior avança devagar e para em cima de uma raiz exposta.
A oncinha senta, estica as patas e começa a ronronar alto. Junior observa, parado.
Junior para no meio do caminho e olha para as próprias penas azuis e amarelas. O papagaio pousa ao lado dele e diz: 'Você é o silêncio bom da floresta.'
Junior sorri e voa devagar pelo céu verde.
O sabiá canta de novo lá do alto. O twit-twit do gavião ecoa suave. Mas nada cobre o som quieto que Junior carrega.
Junior sobe devagar até um galho novo. Fecha os olhos. E desta vez, ele não tenta ser forte. Ele apenas canta.
Um fio fininho de som sai do bico. Não é alto. Não é grosso. É só isso: um piado doce, quentinho, que pertence a ele.
A floresta ouve. O vento para. Até o rio deixa de correr por um instante. E Junior continua cantando, bem devagarinho.