Kainan se agachou na margem de terra vermelha e puxou uma pedra cinza com veios de quartzo da água barrenta. Ele passou o polegar sobre a superfície áspera, os olhos arregalados de surpresa. Quando olhou para trás, notou que as pedras brilhantes que colecionava ontem já não estavam mais lá.
Ele correu ao longo da margem, juntando fragmentos de quartzo e cascalho em uma pilha. Uma gota de rio escorreu sobre a pedra achatada — ela emitiu um som como um sino baixo, hummm. Kainan congelou, ouvindo o eco suave entre as árvores, e apertou a pedra contra o peito.
Kainan subiu em uma grande pedra plana e observou o rio se movendo, tentando lembrar de todas as formas que vira antes. O vento trouxe o cheiro de folhas molhadas, e ele notou uma rachadura na margem, larga o suficiente para uma mão crescer.
Kainan correu até a rachadura e se abaixou para olhar dentro. A água saiu em um jorro suave, carregando areia e pequenas pedras para baixo. Ele esticou a mão para tentar bloquear com um galho, mas a correnteza era forte e puxou seu braço para frente.
Ele caiu de joelhos na lama, mas a correnteza não parou. Ficou ali um momento, molhado e ofegante, olhando para a rachadura que continuava jorrando água sem interrupção. Ele pensou: o rio está guardando algo aqui embaixo.
Na manhã seguinte, Kainan voltou com uma cabaça vazia e começou a coletar água da rachadura, despejando-a em um recipiente improvisado feito de folhas grandes. Ele observava como a água se movia e marcava as pedras que caíam.
A terra vermelha grudava em seus tornozelos enquanto ele marcava cada pedra que caía. Algumas eram opacas, outras brilhavam com veios de quartzo. Ele contava em silêncio, transferindo a água de um lado para o outro, paciente e imóvel.
Kainan secou as mãos na roupa e fitou o fundo do recipiente. Algumas pedras brilhantes ainda permaneciam lá, firmes e intactas. Ele as recolheu uma a uma, sentindo o peso delas na palma, e as guardou junto com as que já tinha.
Ele levou as pedras até a margem e as posicionou sobre a pedra achatada, onde a água do rio batia suavemente. Cada gota que tocava a superfície fazia um som diferente — um, dois, três — como se a pedra estivesse cantando para ele.
Kainan se deitou de costas na terra morna, as pedras brilhantes espalhadas ao seu redor como um tesouro. O rio cantava baixo entre as árvores, e ele ficou ali ouvindo, sorrindo, enquanto o sol descia lento sobre a floresta.