Lira Sol corre pelo parquinho e para bem na frente da parede de escalada baixinha. Crianças maiores sobem rapidinho e pulam do outro lado. Lira Sol fica quieta um instante, ouvindo os balanços fazerem nhém-nhém ao vento, e encosta a mão na parede áspera.
Lira Sol levanta um pé, depois a mão, e tenta subir bem devagar. Escolhe cada apoio como se fosse um segredo. De lado, vê os tênis das crianças maiores batendo depressa na madeira e morde o lábio antes de tentar mais alto.
O pé vai num apoio redondo, mas escorrega de leve. Lira Sol desce sentada num ploft bobo e espalha um pozinho de areia perto dos castelinhos. Ela pisca, ouve uma risadinha lá do escorregador alto e solta uma risada pequena também.
Lira Sol se levanta, limpa a areia do joelho e tenta outra vez. Agora aperta a parede com as duas mãos e procura apoios com a ponta dos pés. Devagarinho, um pé, depois uma mão, depois uma mão, depois um pé. E o corpo sobe melhor.
Pé, mão, pé, mão. Lira Sol sobe mais alto do que antes. Falta só um apoio para o topo. Um balanço canta mais forte — nhããm! — e ela prende a respiração por um segundo. Então estica o braço, acha a última pega e se puxa para cima.
Lira Sol fica no topo da parede de escalada baixinha, com o vento mexendo ao redor. O parquinho colorido parece lá embaixo. Ela abre um sorrisão, desce para tentar de novo e já encosta a mão na parede áspera como quem diz: “Mais uma vez.”