Luarte Brasil empurrou o cortinado de cipós e viu um caminho de luzes douradas piscando entre as árvores. Ela prendeu a respiração. Os dedos roçaram uma folha que brilhava como pó de estrela.
Com um passo hesitante, atravessou o limiar. O mundo ao redor mudou de cor. O verde tornou-se violeta, o céu, azul-claro. Ela sorriu. Era de verdade.
À frente, uma lagoa bloqueava o caminho. Pedras emergiam da água, cobertas de musgo escorregadio. Luarte Brasil calculou o salto. Primeiro passo, segundo passo — e escorregou.
Splash! Caiu na água fresca. Subiu, tremendo, mas não desistiu. Novos saltos. Nova queda. A água era divertida, mas o caminho continuava longe.
Na terceira tentativa, algo pousou em seu ombro. Era uma luzinha dançante. Ela apontou para uma pedra específica. Luarte Brasil confiou. Outro salto — desta vez, chegou.
A clareira abriu-se diante dela. Flores cantavam baixinho, vozes suaves subindo entre os pétalos. Luarte Brasil parou, ouvindo. Nunca tinha ouvido algo tão bonito.
No centro da clareira, uma árvore gigante se erguia. Tinha um buraco na casca, parecido com uma porta. Luarte Brasil aproximou-se devagar. O buraco parecia esperar por ela.
Ela colocou a mão no buraco. Sentiu um calor que não queimava — era como um abraço antigo. Do buraco, uma semente luminosa flutuou para fora e pousou em sua palma.
Luarte Brasil apertou a semente com força. Não ia perdê-la. Nem por nada. Ela guardou no bolso, deu as costas para a árvore e seguiu o caminho de volta — a luzinha dançante à frente, iluminando.
De volta ao quintal, cavou um buraco pequeno. Enterraram a semente com cuidado. Regou com uma colherinha de água. Deitou para dormir, imaginando o que cresceria naquela manhã.
Na manhã seguinte, Luarte Brasil correu até o jardim. A semente havia brotado. Uma muda alta e fina se erguia, e em seu topo, pétalas de cristal refletiam o sol como mil pequenos arco-íris.
Ela sorriu. O brilho da planta se refletia em seus olhos, tão presente quanto o sol. Luarte Brasil sabia: o mundo mágico estava mais perto do que ela pensava. Bastava abrir a porta.