Lucas estava no pátio da escola. Tudo ao redor dele era enorme. Até suas próprias sapatinhas pareciam gigantes.
Lucas segurava seu caderno de desenhos. Ele olhava para o chão. Nada parecia grande o suficiente para chamar a atenção dele.
Ele subiu no banco. Esticou os braços. Desenhou círculos bem grandes. Mas nada mudou.
O caderno fechou sozinho. Como se também estivesse triste.
Um passarinho pousou na mureta. Olhou para ele.
Lucas sorriu e fez um desenho rápido. O passarinho tilintou com o bico. Voou para bem perto. Como se dissesse: Continua!
Lucas levantou o olhar. Uma menina estava na janela da sala de atividades. Ela sorriu e acenou.
Lucas parou de mexer. O caderno caiu no chão. Ela apontou para o desenho e fez um sim com a cabeça.
Lucas sorriu de verdade pela primeira vez.
Ele pegou o caderno, correu até a janela e mostrou o desenho do pássaro.
A menina aplaudiu bem baixinho. Lucas olhou para o pátio. Ele ainda era grande.
Mas agora Lucas sabia que tinha um lugar ali.