Luna pressionou o focinho contra o vidro frio da toca, as orelhas achatadas contra a cabeça. Apertou a haste de dente-de-leão no bolso. Um brilho suave piscou lá fora, e uma vozinha pediu: "Quer caminhar comigo?"
Luna seguiu a vaga-lume para além da varanda, cada passo mais lento que o anterior. Patinhas pisando em galhinhos secos que rangeu, e ela estremeceu a cada farfalhar. A vaga-lume voou para frente e voltou, deixando um rastro de faíscas douradas.
As faíscas douradas pousaram num cogumelo, fazendo-o pulsar com luz própria. Luna arregalou os olhos e soltou uma risada. A luz do cogumelo brilhante iluminou seu rosto curioso enquanto a vaga-lume zumbia em círculos ao redor.
Eles chegaram a um riacho escuro, e a vaga-lume apontou para pedras lisas que surgiam da água. Luna saltou de pedra em pedra com cuidado enquanto a água sussurrava abaixo, prendendo a respiração até alcançar a margem.
A vaga-lume pairou sobre um tapete de musgo úmido, coberto de gotas de orvalho que brilhavam como estrelas caídas. O musgo parecia um tapete de joias sob a luz suave do céu noturno. Luna observou, maravilhada, enquanto a luz dourada iluminava o caminho.
De repente, um corvo mergulhou das árvores, asas rangeando. Luna congelou, as orelhas coladas à cabeça. O corvo era grande, com plumagem preta brilhante que captava o brilho da vaga-lume. Seus olhos amarelos fixaram-se em Luna com uma curiosidade calma.
A vaga-lume voou até o corvo e zumbiu um cumprimento, e o corvo gorjeou baixinho. Luna respirou fundo e deu um passo à frente. O corvo piscou devagar, e então seguiu voando para a copa das árvores.
Agora, Luna caminhava ao lado da vaga-lume, explorando a floresta com confiança. Os grilos cantavam melodias suaves e as folhas suspiravam com a brisa da noite. Cada passo era mais seguro, cada som da floresta parecia uma canção de boas-vindas.
Chegaram a uma clareira onde centenas de vaga-lumes dançavam em padrões brilhantes. As luzes dançavam como se fossem estrelas caídas, criando um tapete vivo de dourado e verde. O ar tremia com o zumbido suave dos insetos. Luna sentou-se para observar o espetáculo e sussurrou: "O escuro tem seus brilhos."
No dia seguinte, ela já esperava junto à porta ao entardecer, pronta para a próxima caminhada. Luna manteve a haste de dente-de-leão no bolso, recordando-se da magia daquela noite. O vento trazia whispers de promessas invisíveis, e Luna sorria.