A cozinha banhada de sol estava cheia de cheiros bons quando Luzia empurrou a cadeira até a bancada. Lá estavam a tigela de polpa de maracujá amarela e a bacia de chocolate derretido brilhante, esperando por ela como dois tesouros prestes a se encontrar. 'Vou fazer meus dim dims!', ela anunciou para a cozinha vazia, esfregando as mãos uma na outra.
Luzia subiu na cadeira e empurrou a bancada com os dois joelhos. O sol da manhã iluminava os dois ingredientes como se estivessem fazendo uma festa, faíscas de luz saltando na superfície do chocolate e nos grãos amarelos do maracujá. Ela esticou o pescoço para enxergar melhor, os olhos arregalados de antecipação.
Com as duas mãos, Luzia pegou a tigela de polpa de maracujá e a despejou na bacia de chocolate. A polpa amarela escorregou devagar, criando um rio brilhante que começou a dançar entre o marrom escuro. Ela pegou a colher de pau e começou a mexer, observando as cores se entrelaçarem como fitas de um carnaval.
'Uau, que cor!', ela suspirou, sorrindo enquanto a tigela vibrava levemente sob a força dos seus braços. O marrom escuro se misturava com faixas amarelas girando como um remoinho dourado. Porém, o chocolate começou a escorrer pelo lado de fora da bacia, pingando pingando na bancada de madeira.
Luzia limpou as gotas com a ponta dos dedos e continuou a mexer, mas a colher parecia travada. O chocolate tinha engrossado demais. Ela parou, a mão sobre a bacia, e pensou: 'Será que não vai dar certo?' Então o calor do sol amornou a mistura e tudo desliza suave outra vez.
O chocolate, antes travado, agora deslizava suave como manteiga sob a colher. Luzia ri alto e voltou a mexer, mais decidida, os braços movendo-se com força e ritmo. 'Aí sim!', ela pensou, sentindo os músculos dos braços trabalharem. A mistura ficou perfeita — marrom com veios amarelos brilhantes.
Com cuidado, Luzia encheu cada saquinho com a mistura colorida. Amarrava com um nó pequeno e cuidadoso, tão pequeno quanto um botão. Os dim dims ficaram vermelhos e amarelos como pedrinhas de um tesouro escondido. Ela os alinhou na forma como soldados em fila, cada um brilhando sob a luz dourada.
Luzia observou os dim dims alinhados e sorriu para si mesma. O aroma doce e azedinho se espalhou pelo ar, invadindo cada canto da cozinha. Ela arregalou os olhos de surpresa, inspirando fundo — o cheiro era tão bom que parecia ter cor. ' Ficaram perfeitos ', pensou, sem conseguir conter um sorrisão.
Luzia pegou o primeiro dim dim e o analisou como se fosse uma joia rara. A luz do sol passava pelo plástico fino, mostrando as listras amarelas e marrons dentro. Ela mordeu a pontinha com cuidado, o plástico clikando suavemente entre os dentes.
O sabor explodiu na boca dela — doce de primeiro, azedo logo em seguida, e então os dois juntos num abraço perfeito. Luzia closing os olhos devagar, saboreando cada mordida. Um som baixinho de satisfação escapou dela, quase um suspiro, quase um riso.
Luzia comeu devagar cada dim dim, um de cada vez, como quem saborea um segredo valioso. A cozinha cheia de sol parecia ainda mais acolhedora. Ela olhou para a fila de sacolinhas vazias e depois para as cheias que ainda restavam, decidida a terminar tudo sozinha.
Quando o último dim dim desapareceu, Luzia limpou os dedos na barra do avental e olhou ao redor da cozinha. Tudo estava quieto agora, só o zumbido suave da geladeira e o sol caminhando devagar pela janela. Ela deu um passo para trás, admirando o que havia feito, e sorriu.