Maneco caminhava pela calçada de paralelepípedos, passando por casinhas coloridas e lojas de porta aberta, quando um tilintar metálico ecoou do chão.
Ele se abaixou — uma moeda dourada reluzia perto de uma sarjeta. Enfiou-a no bolso e seus passos mudaram de ritmo.
Quatro quarteirões depois, Maneco encontrou outra moeda perto de uma boca de lobo enferrujada. Ele a pickou e as duas tilintaram juntas no bolso.
Quando dobrou a esquina, um clarão azul o fez parar — dentro de um bueiro escuro, uma terceira moeda brilhava como se fosse feita de luz capturada.
Maneco se agachou na beirada do bueiro, esticando o braço até que seus dedos roçaram a borda molhada. A moeda cintilava a apenas uma mão de distância quando suas solas deslizaroram sobre o lodo escorregadio.
Ele tombou para trás com um baque, e as duas moedas voaram de seu bolso — uma girando no ar como um pião, a outra desaparecendo num gole negro.
Maneco ficou deitado na calçada por um momento, olhando para o bueiro que agora parecia apenas um buraco escuro. Um cachorro latiu duas quadras distantes e o vento trouxe o cheiro de café fresco de uma padaria próxima.
Ele se levantou, sacudiu a poeira dos calções e começou a caminhar de volta, sem olhar para trás.
No dia seguinte, Maneco passou pelo mesmo trecho e viu um reflexo prateado no chão. Uma moeda — a que tinha rolado para fora do bueiro durante a noite.
Ele a pickou, a examinar por um momento e um sorriso largo abriu em seu rosto. 'Ainda tenho uma,' ele disse, e seguiu caminhando pela rua.