Miguel arrastava os pés pela grama. De repente, Bento parou. O focinho do cachorro apontou para baixo.
Miguel se agachou. Levantou uma folha verde. Uma joaninha vermelha com pintinhas pretas estava presa, as perninhas se movendo devagar.
Miguel estendeu o dedo bem devagar, tentando empurrar a folha. Mas ela escorregou e a joaninha se escondeu mais fundo. Bento lambeu a mão de Miguel com a língua áspera e quente.
Miguel respirou fundo. Usou as duas mãos para levantar a folha, devagar, como se fosse uma porta.
A folha subiu. A joaninha escorregou, caindo de barriga para cima, as patinhas agitadas. Miguel segurou o ar, os olhos arregalados. Bento deu um latido baixinho: uau.
Miguel virou a joaninha com a ponta do dedinho. Ela ficou de pé, esfregou as anteninhas. Depois, subiu pelo dedo de Miguel, fazendo cócegas.
Miguel e Bento se encaram e sorriem. Bento abana o rabo tão forte que a terra treme.
Miguel se levantou devagar e caminhou até uma flor amarela grande. Segurou a mão de Bento para ele também ver.
A joaninha subiu pela flor. As asas vermelhas brilhavam sob o sol. De repente, se soltou — vuuup! — voando alto.
A joaninha girou no ar como uma estrela que caiu do céu. Depois pousou no centro da flor amarela e ficou quieta, brilhando.
Miguel abraçou Bento bem forte. O cachorro encostou a cabeça no ombro de Miguel.
Os dois ficaram assim, olhando para a flor. A brisa movia as pétalas devagar, devagar, devagar.