Milo pausa a TV. O sol desenhado franze a testa. Com a lupa amarela, ele encontra uma sombra atrás das nuvens.
Ele abre o caderno quadriculado e desenha a sombra exatamente onde a viu. O papel crocante cheira a livros antigos.
Milo volta a cena da nuvem que ria. As lágrimas viram pontinhos pretos e se espalham pela tela.
Um sussurro cresce: frrr, frrr. Milo escreve os pontinhos, enquanto os personagens deixam pistas escondidas.
No desenho seguinte, um dragão simpático espirra. A fumaça forma um ponto de interrogação e depois vira um mapa.
A lupa revela o quarto de Milo dentro da fumaça: a cômoda, a TV e seus lápis aparecem perfeitos.
Milo acende a lanterna através da lupa. Um feixe corta o quarto, e os personagens desenhados avançam sorrindo.
O dragão sopra outra nuvem. Ela escreve: “Nunca tivemos medo do escuro; esperávamos sua luz.”
O caderno cai aberto numa página em branco. A luz permanece sobre o papel, esperando.
Na manhã seguinte, Milo organiza seus desenhos em círculo ao redor da cama. Em cada quadro, desenha um sol minúsculo.
As televisões zumbem baixinho. A luz dourada atravessa o quarto, e todos os personagens nas telas riem juntos.
Milo se encolhe com o caderno. As páginas agora guardam aventuras que ele e seus amigos viverão amanhã.