Miru empurrou a porta da academia do bairro. Lá dentro, halteres brilhavam, colchonetes se alinhavam e barras balançavam em silêncio. Ele escolheu um peso quase maior que ele e puxou com toda a força. PLOC! O halter caiu no tapete.
Miru encarou o halter no tapete. Apertou as mãos, ajeitou os pés e levantou o queixo. “Vou tentar de novo.” O eco da frase se misturou ao zumbido distante dos aparelhos.
Desta vez, Miru começou com um halter leve. Depois, fez uma flexão bem devagar. Os aparelhos marcaram o ritmo: clac, clac, vuuum. Ele respirou fundo, olhou para a barra e estendeu os braços.
Miru segurou a barra e tentou subir. Os dedos escorregaram. Fom! Ele caiu sentado sobre o colchonete. Ajeitou a camiseta, encarou a barra outra vez e voltou a segurá-la.
Miru treinou em passos pequenos. Levantou o halter leve, saltou sobre a faixa colorida e segurou a barra por mais um instante. Cada tentativa ganhou uma marca no quadro. Risca, risca, risca.
Numa tentativa, a barra girou. Miru ficou pendurado como um pião, rodopiando devagar. “Uau!”, exclamou alguém ao passar. Ele riu, esfregou a poeira do joelho e marcou mais uma tentativa no quadro.
Miru voltou ao exercício mais difícil. Tentou levantar o halter até a última repetição, mas os braços cederam antes. O peso rolou pelo chão e parou diante do espelho. Miru baixou os olhos e quase guardou a toalha.
O rangido dos aparelhos atravessou a sala: nhec, nhec. Miru segurou a toalha e olhou para o reflexo. “Ainda não terminei”, disse baixinho. Então deixou a toalha sobre o banco e ajustou os pés.
Miru recomeçou devagar. Ajustou os pés, dobrou os joelhos e ergueu o halter. Uma vez. Duas. Na última repetição, o movimento se completou. O espelho devolveu a imagem dos braços levantados.
Dlim-dlim! O sino da academia tocou. Miru levantou os braços diante do espelho, enquanto a toalha balançava no ombro. No dia seguinte, empurrou a mesma porta, sorriu para o tapete e escolheu um exercício novo.