Leitorzinho abre o livro ilustrado sobre a mesa. As letras saltam da página e formam uma faixa enorme: “EI! VOCÊ AÍ! NÃO LEIA ESTE LIVRO!”. Ele segura a faixa, enquanto o livro faz “PLOFT!” e se fecha sozinho.
Leitorzinho empurra a capa com as duas mãos. A capa faz cócegas nos dedos e sussurra: “É sério. Você deveria fechar este livro agora.” Ele solta uma risadinha e espreita pela fresta, como quem procura um segredo.
Leitorzinho vira a próxima página, e as palavras saem correndo. “NÃO LEIA!” dispara atrás de uma ilustração, enquanto outras letras se escondem em vasos, nuvens e molduras. Ele persegue a frase até uma palavra tropeçar num ponto final e cair de cabeça numa poça de tinta azul.
Leitorzinho sopra a tinta. As letras voam como passarinhos e revelam uma escada desenhada no papel. Ele sobe o primeiro degrau, enquanto o livro sacode as páginas e protesta: “Mas…”.
Leitorzinho sobe mais dois degraus. A escada cresce sob seus pés, atravessando desenhos de estrelas, mapas e peixes de papel. Lá em cima, uma porta minúscula aparece; ela range baixinho: “Creeeeque”.
Leitorzinho abre a porta minúscula. Do outro lado, existe uma página completamente em branco. Ele dá um passo, e uma janela colorida nasce sob seus pés, quadradinho por quadradinho.
Leitorzinho dá outro passo. Uma lua prateada surge na página, pendurada acima da janela. Então, letras douradas aparecem devagar: “Continue, Leitorzinho”. Ele inclina a cabeça, lendo cada palavra.
Leitorzinho sorri. Sem protestar, o livro começa a virar as páginas sozinho, uma depois da outra. A janela se abre para uma aventura cheia de cores, e ele mergulha pela próxima página.