Nathalia estava na varanda, sentada no chão, enquanto o vídeo mostrava um céu repleto de estrelas sobre o cerrado. Ela deslizou o dedo pela tela, admirando os pontos luminosos que pareciam dança no escuro. Parecia tão perto, tão vivo.
Ela parou o vídeo, respirou fundo, e digitou devagar: 'Também vejo essas estrelas da minha varanda.' O dedo ficou pairando sobre o botão enviar. O ar estava calmo, só o som do vento entre as folhas da mangueira.
O celular vibrou na mão dela. Piu! O barulho fez Nathalia pular, quase deixando o aparelho cair. Ela olhou para a tela. Nada. A mensagem tinha ido, mas a resposta ainda não vinha.
Ela esperou. E esperou. O relógio da cozinha fazia tic-tac, tic-tac. Do lado de fora, o vento balançava as folhas da mangueira. Mas a tela continuava preta.
Nathalia subiu e desceu os degraus da escada, sempre olhando para a tela. Cada degrau era uma nova esperança. Cada vez que o brilho aparecia, era só o reflexo da luz do corredor.
No dia seguinte, o sol entrou pela janela forte. Nathalia decidiu tentar de novo. Um tucano pousou no bebedouro do quintal, com seu bico alaranjado e penas pretas e brancas. Ela tirou uma foto.
Ela publicou a foto com a legenda: 'Você também vê pássaros aqui?' O coração acelerou quando uma notificação apareceu. Mas era só um like. Ela soltou o ar devagar e guardou o celular na mesa.
Mas Nathalia não desistiu. Ela pensou: 'Se eu continuar compartilhando, alguém vai aparecer.' Colocou a corujinha de pelúcia na estante e foi dormir.
Naquela noite, o quarto estava escuro. O som dos grilos enchia o ar, um zumbido suave e constante. Nathalia estava deitada quando o celular tocou. A tela brilhou no quarto escuro.
Ela correu para pegar o celular. A mensagem era de Yasmim, de um lugar do outro lado do Brasil: 'Eu também vejo esse tucano! E tenho uma corujinha de pelúcia igual à sua.' Nathalia leu e relê.
Ela digitou rápido, sem pensar duas vezes: 'Aquela corujinha tem um jeito triste. Eu acho que ela quer um amigo.' Apertou enviar. E desta vez, a resposta não demorou.
Yasmim respondeu: 'Ela já tem! Você é a amiga dela.' Nathalia olhou pela janela. As estrelas do cerrado brilhavam lá fora, e pela primeira vez, parecem mais próximas.