Nina observava o balanço, enquanto o menino novo ficava parado perto do escorregador. Ela chutava a areia com o calçado, sentindo um frio na barriga que não conseguia explicar.
Um pássaro pousa no braço do banco vazio ao lado dela. O balanço balança devagar, mesmo sem ninguém empurrando.
Nina salta do balanço, caminha até o menino e estende a mão. Vamos sentar com a gente? pergunta, com a voz alta o suficiente para ser ouvida pelo grupo.
O menino olha para a mão dela, depois para os dedos torcendo a alça da mochila. Nina espera, sem reclamar.
Os outros amigos de Nina se aproximam, desconfiados; um deles deixa a bola rolar sem querer. A bola para perto do pé do menino novo.
Ele a empurra de volta com cuidado, com os dois dedos indicadores, devolvendo a bola para o grupo sem olhar para ninguém.
O menino novo tira do bolso um punhado de pedrinhas coloridas e as organiza em círculo no chão. Todos se agacham ao redor.
As pedrinhas fazem um som suave de estalo quando tocadas. Nina toca uma pedra azul, depois outra amarela, sorrindo devagar.
Nina senta ao lado do menino novo no banco da praça, dividindo sua caixinha de suco. Ele sorri, e um som alegre escapa de sua garganta.
O banco range suavemente, como se também estivesse sorrindo. Nina encosta a cabeça no ombro dele, e o menino, devagar, encosta a dela no braço dele.