Nino abriu o caderno de desenhos. Viu as montanhas, os campos verdes e o mar distante. Fechou o caderno. Nada que ele desenhava cabia naquele mundo todo.
No dia seguinte, Nino foi até a montanha. Desenhou picos pontudos. O vento sopra as folhas com um zumbido suave.
Na praia, ele desenhou ondas que batiam na areia. Ploc! A espuma cantava.
Na floresta, ele desenhou árvores que rangiam ao vento. Shhh, shhh — as folhas sussurravam.
Nino vira as páginas do caderno. Algo estranho acontecia: os desenhos brilhavam levemente, como se guardassem um pedacinho de luz.
Ele toca a capa do caderno. O papel estava macio e quente. O mundo… cabia ali dentro?
Nino corre de volta para casa, apertando o caderno contra o peito. O vento uivava alegre ao seu redor.
Chegou à varanda. Sentou-se e abriu o caderno. Nada mais parecia pequeno.
Ele desenhou a si mesmo pequeno, cercado por montanhas, ondas e árvores que escapavam das páginas.
As montanhas, as ondas e as árvores desenhadas se moviam devagar. Como se estivessem vivas.
Nino sorriu. Traçou o último contorno e fechou o caderno devagar.
O caderno parecia sussurrar: o mundo cabe sim — dentro dele.