Noir ajustou o chapéu de bruxa e olhou pela janela rachada. Seus bigodes dourados brilham. Com um zumbido suave, a rachadura se fecha como uma ferida que cicatriza. Ele pisca os olhos amarelos, surpreendido.
Correu até a horta da Dona Galinha. As sementes de cenoura tinham voado com o vento. Noir balançou os bigodes devagar, cantando. As sementes tremiam, saltitavam, caíam em fileiras perfeitas.
Dona Galinha piou de alegria e batia asas. Uma chuva de penas brancas voou e pousou nos ombros do gato preto. Ele fechou os olhos, sorrindo.
O riacho da vila secara. Noir subiu na pedra do meio e focou os bigodes nas montanhas. Um sopro gelado lhe beijou o nariz. Gotas de orvalho brotavam das folhas, formando um fio de água.
O fio cresceu. Um rio minúsculo corría. Peixinhos prateados saltavam em arcos, molhando o chapéu de bruxa. Noir lambia a língua, feliz.
Noir seguiu o riacho pela trilha verde. A floresta encantada se abria diante dele, árvores antigas com casca prateada e musgo luminoso. O caminho estreitava entre raízes grossas.
Uma grande raiz bloqueava o fluxo. Noir empurrou com as patas dianteiras. Nada. Seus bigodes tremiam de frustração, soltando faíscas fracas.
Então uma raposa vermelha surgiu da sombra, observando em silêncio. Noir sentou-se, fechou os olhos e ouviu o sussurro das folhas.
Os bigodes brilharam com luz quente. A raiz tremuleu, deslizou, e a água correu livre. Os peixinhos prateados saltavam em arco dourado.
Noir retornou à vila ao anoitecer. Agora era reconhecido como guardião do bosque. Os vizinhos o esperavam na colina.
Sra. Coruja arrulhou: 'Você é nosso guardião curioso.' O gato preto abanou o rabo devagar e sorriu.
Noir fechou os olhos. Sentia o vento acariciar seus bigodes dourados. A vila respirava em paz, e ele sabia que tudo estava certo.