O vento entra pela janela aberta. O céu lá fora está cheio de estrelas. A cortina balança, lenta, quieta.
Raul puxa o cobertor até o queixo. Na parede, as sombras da árvore se esticam como dedos compridos. Balú enrosca a patinha no pulso dele, quietinho.
Raul fecha os olhos e conta: uma, duas, três. O quarto fica pequeno, só o sopro do vento lá fora.
BUM! O vento sacode a cortina no vidro e Balú pula na cama, latindo. Raul sussurra: 'Que foi? Que foi?'
Raul fecha os olhos de novo e segura a patinha de Balú com as duas mãos. 'Deus, me dá coragem, tá?' Balú senta parado no silêncio.
O vento volta, forte. As sombras dançam na parede, compridas e inclinadas, como fantasmas passando devagar.
Raul aperta a patinha de Balú e sussurra: 'Eu não tô com medo.' O vento para, e Balú lambe o queixo dele. Raul abre um olho — é só o galho da árvore, balançando.
A luz dourada enche a janela enquanto Raul empurra a cortina pra fora. Balú boceja enorme na cama. O 'gigante' da noite é só o arbusto de lavanda, perfumando o ar.