O quarteirão acordava com cores vivas. Casas azuis, amarelas e rosas alinhavam a rua cheia de vida.
Jade subiu na varanda e pegou o espelho. Observou seus cachos grossos e brilhantes.
Ela correu para a cozinha. "Avó, o que significa ser negra?" — segurou o espelho bem na frente dela.
A avó parou. A colher de pau girava devagar no café escuro. O latido de um cachorro e o toque de uma campainha enchiam a rua.
A avó sentou Jade no colo. "Na sua pele mora a força" — e levou a menina até a mangueira.
Jade encostou a palma na casca áspera da mangueira e apertou os olhos.
"Na sua pele mora a beleza" — a avó pegou uma conta de vidro azul. Um arco-íris pequeno nasceu no chão. Jade ri, tentando pegar o reflexo.
"Na sua pele mora o amor" — a avó puxou Jade para um abraço apertado.
Jade correu para a varanda. Olhou o reflexo — e seus cachos brilhavam com luz própria.
Ela tocou uma trança. Ela pareceu flutuar levemente. "Avó!" — mas a avó não estava na cozinha.
Jade olhou para trás. A avó sorria na porta, com os braços abertos.
Jade correu até ela. A avó a abraçou e sussurrou: "Você é o amor que sempre esteve aqui."
No dia seguinte, Jade brincava no quintal com as amigas. Uma fita vermelha brilhava nos seus cachos.
"Jade, como você faz para deixá-los assim?" — "Eu apenas os amo", Jade respondeu. A avó observava da varanda.
Ela passou a mão pelos cachos, sentindo a textura macia. A avó sorria, tranquila.
O sol se punha, pintando as casas do quarteirão de laranja e rosa.