Rosália atravessava o jardim ensolarado quando quase escorregou numa trilha de pétalas coloridas. As pétalas cobriam a terra entre os caminhos. Ela se agachou, recolheu uma pétala cor-de-rosa e perguntou: “De onde vocês vieram?” As roseiras balançaram: “Xixixi...”
Rosália seguiu o rastro até uma árvore antiga. Acima dela, as folhas faziam “xique-xique, xique-xique”. Uma rajada soprou, e novas pétalas voaram pelo ar. Algumas pousaram no cabelo de Rosália. Ela ergueu o rosto, surpresa, e correu atrás delas.
As pétalas levaram Rosália até uma roseira. De repente, o vento mudou e espalhou o rastro em três direções. Ela tentou acompanhar o primeiro caminho, depois o segundo. Então uma pétala pousou bem no nariz de Rosália. “Atchim... há!” Ela riu e olhou para as flores.
Rosália percebeu o segredo: o vento soltava as pétalas das flores. Ela juntou as que haviam caído e começou a desenhar um caminho até a entrada do jardim. Uma por uma, as pétalas formaram uma faixa colorida sob as árvores.
Uma rajada inesperada atravessou o jardim. O desenho se embaralhou, e as pétalas giraram como pequenas borboletas. Rosália segurou o chapéu com uma mão e tentou alcançar o caminho com a outra. “Voltem para o lugar!”
As pétalas caíram outra vez, espalhadas pelo chão. Rosália respirou devagar e recomeçou. Primeiro, juntou as cor-de-rosa; depois, as amarelas e vermelhas. O caminho apareceu de novo, torto e alegre, seguindo em direção ao portão.
Rosália terminou o caminho junto às roseiras, sob a sombra das árvores antigas. Ela recuou alguns passos para observar. O vento soprou de leve. As pétalas tremeluziram no chão, como um pequeno rio colorido apontando para a entrada.
Rosália guardou uma pétala entre as páginas do caderno. Depois, fechou-o com cuidado e deixou o jardim pronto para alegrar quem chegasse. Na entrada, o caminho colorido esperava, quietinho. Uma última pétala deslizou pelo chão: “Xixixi...”