No armário da escola, Miguel encontrou um envelope preto. O lacre vermelho brilhava sob a poeira. Ele leu: “Só Te Conto de Terror — entrada permitida.” O sino tocou. Miguel arrancou a aba, ouviu o rasgo seco e disparou pelo corredor, enquanto o bilhete caía sobre seus tênis gastos.
Miguel empurrou a porta da sala 12 e parou no batente. Cortinas pretas escondiam as janelas. Velas tremulavam sobre uma mesa redonda. Três alunos formavam um círculo, e uma menina de óculos enormes fez sinal para ele se aproximar. Um sapato havia escorregado; seus pés estavam descalços sobre o vinil frio.
A menina de óculos enormes abriu um livro grosso e começou a ler. A história falava de um fantasma que aparecia quando alguém ria alto demais. As crianças riram. Uma vela apagou sozinha; outra acendeu, piscando como sinal. Miguel observou tudo até o projetor revelar recortes de papel nas paredes.
Então, um morcego de papel caiu na cabeça de Miguel. Ele puxou o recorte dos cabelos e riu tão alto que todos olharam. A menina de óculos enormes sorriu, orgulhosa. “Você riu”, disse ela, entregando-lhe um marcador vermelho para assinar a lista de presença.
Miguel segurou o marcador. O cheiro de tinta fresca subiu da ponta brilhante. Os alunos fizeram cócegas nele com o morcego de papel. Risadas ecoaram pelas paredes, agora cheias de sombras engraçadas. Miguel assinou a lista, deixando uma marca vermelha e torta.
No recreio seguinte, Miguel atravessou o pátio com o marcador preso na mochila. Perto do bebedouro, os amigos da eletiva o esperavam. Um deles ofereceu um balão preto com uma caveira desenhada. Miguel segurou o balão, mirando o pequeno alfinete na mão do colega.
PLOC! O balão estourou. Todos pularam ao mesmo tempo. Por um segundo, o pátio ficou quieto. Depois, as gargalhadas começaram, uma após outra, até o colega levantar os braços com o balão murcho na mão.
Quando o sino tocou, Miguel entrou na fila sem hesitar. A mochila balançava em seu ombro, com o marcador vermelho aparecendo no bolso. Ele olhou para os amigos e pensou na próxima história. Talvez tivesse um fantasma. Talvez tivesse um balão. Certamente teria uma risada bem alta.