O jardim encantado brilhou com luzes douradas enquanto o sol se punha. Gigi, com sua coroa dourada na cabeça, caminhou entre as flores que cantavam baixinho. As borboletas brilhantes dançavam ao redor dela, e a brisa trazia o cheiro de terra molhada e pétalas doces.
Gigi tirou a coroa dourada de sua cabeça e a ofereceu ao passarinho que tremia debaixo de uma folha úmida. A coroa escorregou delicadamente do bico do pássaro e caiu numa poça.
Na poça, a coroa refletiu todas as cores do pôr do sol — laranja, rosa, dourado. Ela olhou para o passarinho, que ainda se encolhia, e pensou: preciso fazer algo melhor.
Com cuidado, ela arrancou uma pétala azul de uma flor e a colocou sobre as penas do passarinho. O passarinho parou de tremer e fez um som suave, como o vento entre as folhas.
Gigi sorriu, ouvindo aquele som doce. De repente, um barulho de galho quebrando veio de trás de um arbusto, e ela virou a cabeça com curiosidade.
Um coelho saltou para a frente, com os olhos arregalados e as orelhas coladas ao corpo, tremendo ao ver uma sombra alta se movendo entre as árvores.
Gigi correu até o coelho e, em vez de correr para afastar a sombra, segurou sua patinha e apontou para os vaga-lumes que começavam a dançar no ar. Ela sussurrou: Olha, são só luzinhas.
O coelho observou as luzinhas e sua respiração se acalmou. A sombra, então, se revelou — uma joaninha gigante de papel, deixada por uma criança que passava.
Gigi voltou ao centro do jardim, onde as flores já acenderam suas luzes internas e os bichos saíam de seus esconderijos.
Ela se sentou na grama macia e percebeu que seu vestido perdeu o brilho, mas algo dentro dela brilhou mais forte — uma estrela pequena e quentinha.
Ela cantou uma canção suave e todos os amigos do jardim se juntaram, formando um círculo de cores e sussurros ao seu redor.
Sob as estrelas, Gigi sorriu. O jardim respirava em paz, e ela sabia que qualquer coisa assustadora podia se tornar algo bonito — bastava olhar de um jeito diferente.