Luna caminhava até a escola, apertando seu caderno contra o peito. As vozes dos outros ecoavam: "Não quer sentar perto dela." Ela desviou o olhar para o chão. As folhas secas rangeam sob seus sapatos.
No recreio, Luna observava as outras crianças do outro lado do pátio. Seus dedos traçavam os cantos do caderno. Rabiscava, apagava, rabiscava de novo. E então uma borboleta azul pousou no degrau ao seu lado.
A campainha tocou. Luna subiu as escadas devagar. Parou em frente à porta da sala. Dentro, ela viu um menino sentado sozinho no fundo, desenhando com lápis de cor gastos.
O menino levantou o olhar. Luna reconheceu algo familiar naquele silêncio. Eles se olharam sem dizer nada. Ela sorriu primeiro, tímida, e ele corresponderam com um leve aceno de cabeça.
Luna foi até a mesa dele, mas hesitou na entrada. O menino fechou o caderno devagar. "Eu também tenho medo de errar", disse ele. A borboleta azul apareceu na janela.
"Eu também", sussurrou ela. O menino empurrou o caderno na direção dela. Luna tirou seu desenho favorito do caderno vermelho — uma menina e um navio sob um arco-íris — e estendeu para ele.
Ele sorriu — dois dentes faltando. Juntos, começaram a desenhar. Lápis riscavam o papel. Luna finalmente soltou o ar que prendia há tanto tempo.
"Quem é essa menina?", perguntou o menino, apontando para o desenho. Luna apontou para si mesma. Ele riu. "É lindo", disse. Ela nunca tinha ouvido aquilo antes.
O sino do recreio tocou novamente. Mas Luna não se levantou. O menino continuou desenhando ao lado dela. A borboleta azul pousou no parapeito da janela, observando.
Na saída, Luna caminhou mais devagar. Seu caderno não estava mais tão apertado contra o peito. "Até amanhã?", o menino perguntou. Ela assentiu. "Até amanhã." A borboleta voou acima deles.
Luna saiu pela porta. O sol da tarde iluminava o caminho de terra até casa. Ela pensou no navio, no arco-íris, no menino que também tinha medo. Mas não tinha mais tanta medo assim.
Luna chegou perto de casa. Olhou para o caderno aberto no colo. O navio e o arco-íris tinham agora dois marinheiros. Ela sorriu e entrou. A borboleta azul seguiu até a janela de seu quarto.