Mia caminha na trilha de terra ao lado de Matias e Tomé. A floresta é densa, verde, e o chão cheira a musgo molhado. O trio ri baixinho entre as árvores altas.
De repente: "Pip, pip, pip!" Entre as raízes de uma árvore enorme, um filhote de esquilo está preso, a cauda enroscada. Os três param de uma vez.
Mia abaixa os joelhos na terra úmida e encosta a mão na casca rugosa. "Alô?" O filhote pisca, minúsculo, olhando por cima da raiz.
Mia puxa a raiz com as duas mãos. Não mexe. Matias pega um galho reto e faz alavanca. CRACK! O galho quebra e o filhote chisca mais rápido.
Tomé vê uma pedra lisa no chão. Ele começa a empurrar a raiz pra lá. Pra cá. Pra lá. Pra cá. O filhote chisca nervoso.
Os três empurram juntos. Mia segura, Matias alavanca com outro galho, Tomé balança a raiz. A madeira range, como um bocejo enorme.
POP! A cauda escorrega pra fora. O filhote se sacode inteiro e a cauda arregaça como uma nuvenzinha marrom. Os três recuam rindo.
O filhote agarra um fungo vermelho na grama e deixa cair aos pés de Tomé. Ele pisca com os dois olhinhos pretos. "Adeus!" Mia ergue o braço e gira na ponta dos pés.
Eles seguem o "piu, piu" até a clareira. A esquilinha-mãe está num toco, a cauda batendo no tronco. O filhote salta nos braços dela. "Tloc" — uma noz cai no chão.
Mia apanha a noz e a guarda no bolso. A trilha fica quieta. A floresta só tem o vento passando entre as folhas.