Lívia saiu do apartamento rumo ao hospital. Na calçada, viu o médico sorrindo; segurou a bolsa, desviou o olhar e deixou a maçã cair: ploc!
O tratamento começou naquela manhã. Enquanto esperava, Lívia pensou: “Esse sentimento fica só comigo, por enquanto.”
Na consulta seguinte, Lívia organizou seus papéis e tentou conversar. A pilha escorregou; folhas voaram, e o médico correu atrás de uma página.
Uma folha pousou na cabeça do médico. Lívia riu pela primeira vez naquele dia: “Desculpe!”
Depois, Lívia foi ao pequeno jardim comunitário e plantou uma muda. Uma vizinha ofereceu água, e outra trouxe terra.
Lívia aceitou a ajuda. Juntas, elas firmaram a muda, enquanto suas folhas dançavam ao vento.
Na consulta seguinte, Lívia entregou um bilhete ao médico: “Gosto de você, mas quero cuidar também da minha vida.”
O médico leu, respeitou o que Lívia sentia e devolveu o bilhete. Então, o regador virou sozinho: chuááá!
Lívia voltou ao jardim com o bilhete guardado na bolsa. “Vamos plantar?”, chamou às vizinhas.
Depois do tratamento, Lívia regou a muda. Riu da terra no sapato, acenou às vizinhas e seguiu para casa.