Leo distribuiu os papeis coloridos pela mesa de madeira. Cada folha tinha um número rabiscado a lápis de cor — um, dois, tres. Ele tentou montar a pilha na sequência certa, mas a terceira folha escorregou e caiu no chão com um plo surdo.
Ele soltou um suspiro alto e ficou olhando para a pilha desfeita. Levantou-se devagar, vira o papel caído para cima e passou o dedo sobre o desenho do dragao. Nem um amassado. Nada.
A avó entrou na sala e parou perto da mesa. Observou a pilha desordenada por um momento, depois foi até a gaveta e trouxe um prendedor cinza. Fixou a primeira folha ao caderno em branco. Vamos começar do começo, disse ela, sorrindo.
Leo observou o prendedor preso ao papel. A luz do sol entrou pela janela e fez o metal brilhar num ponto dourado, pequeno mas vivo. Ele piscou, achando que ia passar, mas o brilho ficou ali, piscando junto com ele.
Eles tentaram prender todas as folhas uma a uma, mas o vento que entrava pela janela aberta fazia as páginas soltas balançarem como pássaros inquietos. De repente, a folha com o desenho do navio voou para longe e foi pousar no tapete xadrez.
Leo correu atras dela, mas o pé escorregou na borda do tapete e ele caiu de sentona com um baque. Ficou sentado no chão, olhando para o navio que estava agora perto do sofá, como se fosse algo vivo.
De repente, o desenho do navio se moveu. O mastro esticou como um pescoço comprido e as velas se incharam. Leo arregalou os olhos enquanto o papel voava de volta para a mesa e encaixava exatamente entre o dois e o tres.
A avó levou as mãos à boca, os dedos tremendo levemente. Com as mãos firmes, Leo prendeu a última página com um laço de fita azul. Folheou o livro terminado, parando em cada desenho que parecia piscar para ele por um instante. Ambos sorriram para a obra na prateleira.