Ao amanhecer, Inês empurrou o portão da aldeia. O cascalho rangeu sob seus sapatos enquanto ela seguia com Pedro pelo caminho proibido. Inês apertou o mapa desenhado por ela, e Pedro sussurrou: “E se os rumores forem verdadeiros?”
O caminho terminou diante de uma cerca torta. Placas antigas balançavam ao vento, rangendo: “NÃO ENTRE”. Pedro levantou a lanterna, mas uma sombra enorme saltou atrás das placas. A lanterna caiu com um “ploc!”
Inês ergueu a lanterna e encontrou apenas um lençol preso a um galho. O tecido dançava como fantasma, batendo: flap, flap. Pedro apontou para trás da cerca. De lá veio um gemido comprido, baixo e triste.
Seguindo o gemido, os dois chegaram a uma clareira coberta de neblina. Ali estava a estufa abandonada: vidros partidos, plantas caídas e tubos enferrujados. Sob algumas tábuas, uma criatura pequena recuou. Inês baixou a lanterna para não ofuscá-la.
Uma gota caiu no balde vazio. Plim. Outra escorreu pela calha quebrada. A criatura encolheu-se sob as tábuas, enquanto Inês estendeu a mão aberta. Pedro segurou a lanterna junto ao chão, deixando a clareira iluminada por uma luz baixa.
Inês e Pedro levantaram as tábuas devagar. Depois, consertaram a calha solta e buscaram água na aldeia, carregando dois baldes pelo caminho. A chuva começou a tamborilar no telhado da estufa: tac, tac, tac.
Quando a criatura saiu, Inês escutou os tubos. Uuuuu… O som era apenas o vento atravessando o metal. O lugar não escondia um monstro; escondia plantas sedentas, vidro quebrado e trabalho esquecido. Então a criatura empurrou uma semente brilhante para a mão de Inês.
De volta à aldeia, Inês plantou a semente junto à cerca. Naquela mesma noite, nasceu uma flor luminosa, lançando pétalas de luz pelo caminho. Pedro ficou ao lado dela, olhando a trilha iluminada até a estufa.
Mais tarde, os habitantes seguiram as pegadas de Inês. Na estufa, ouviram o tilintar suave dos tubos e encontraram a criatura regando as plantas. Ninguém falou alto. A chuva tinha parado, mas as folhas continuavam brilhando.
Inês sorriu ao ver a aldeia junto à estufa. Pedro pendurou a placa no lugar, e uma nova palavra apareceu sob o aviso antigo: “ENTREM”. O tilintar dos tubos continuou, agora parecendo um convite.