O sol se despeja sobre o muro de tijolos. O pátio está vazio, só uma caixinha de suco no banco.
Riko dá um soco. PLOF — o suco de laranja jorra do punho dele, escorrendo pelos tijolos.
Ele firma os pés. Soco. Soco. Soco. O suco segue escorrendo pelo muro, como um rio laranja bem devagarinho.
Duas crianças empurram a mais pequena contra o rochedo. A caixa de bolachas bate no chão.
O punho de Riko fica parado no ar. Ele está ali, quieto, com os nós dos dedos ainda cerrados.
Riko firma os pés e levanta os dois punhos. — Fica pra trás — ele diz.
O mais alto ri, se joga para trás — e tropeça no rochedo. BUM. O outro some correndo.
Riko se agacha ao lado da criança pequena. Tira a última bolacha da caixa e estende para ela.
— Um soco — Riko diz. Ele mostra — devagarinho, certinho, como uma ondinha.
Lá em cima, no telhado, o vento puxa as camisas deles. Lá embaixo, no muro do pátio, a mancha laranja ainda parece uma carinha rindo.