Seu Carlos encontrou um envelope verde na porta de madeira. Ele rasgou a aba com os dedos e leu: 'Reforma para famílias'. O papel tinha cantos recortados e cheirava a tinta nova.
Ele segurou o papel contra o peito. 'Famílias', pensou. A porta rangou quando o vento soprou.
No dia seguinte, uma família chegou. A mulher ofereceu um doce. 'Obrigado', disse Seu Carlos. O cheiro doce encheu o quarto.
Seu Carlos consertou a janela com tábuas e vidro velho. Pregou cada prego com cuidado. A mãe da família sorriu.
Na semana seguinte, outra família chegou. A criança carregava uma caixa de lápis de cor. Seu Carlos abriu a porta.
A criança começou a desenhar um sol amarelo na parede. O lápis rangia como chuva leve. Seu Carlos observou em silêncio.
Uma tempestade atingiu o prédio. A água pingava no teto. Seu Carlos correu com baldes, mas o buraco era grande demais.
De repente, todas as famílias apareceram. Trouxeram panos, vassouras e uma escada. 'Vamos juntos', disseram.
No dia seguinte, o prédio estava renovado. Paredes coloridas, plantas nos quartos, pão fresco na cozinha. Seu Carlos caminhou pelo corredor.
Seu Carlos parou na varanda. O vento quente trazia perfume de flores. Ele sorriu. As famílias eram sua casa agora.