O Sonho da Vitória

"O Sonho da Vitória" é um livro ilustrado em estilo Anime com um adolescente brasileira, por Guest, para 6 a 9 anos — criado com Doodara, o criador de histórias com IA

por Guest · Anime · 6 a 9 anos · adolescente brasileira · 10 páginas

curious, gentle, brave

Aconchego em lugares novos

Vitória afunda o pé na calçada de pedra ainda molhada e freia no meio da rua. À frente, muros de tijolo inglês; acima, lanternas de gás tremem douradas, parisienses, sobre os telhados. Ela encosta os dedos na pedra fria da cerca mais próxima e gira o rosto, procurando uma saída. O mundo lá fora não tem a ver com ela hoje.

Entre duas fachadas estreitas, um beco solta um cheiro de papel velho e canela. Vitória aponta o polegar para o vão escuro ao fundo. Uma porta. Ela arrasta a bolsa sobre o ombro e dá o primeiro passo, os calcanhares ecoando na pedra molhada. A luz âmbar da lanterna mais próxima pinta o chão de poças em dourado.

Vitória espreme o quadril entre um caixote de madeira e a parede do beco. Três palmos. Dois. O toldo rasgado sopra um rangido de tecido no vento. Ela estica a mão e empurra a maçaneta de ferro — rangue, um range longo, quase uma frase. O ombro raspa o batente enquanto se abaixa.

A livraria engole a luz da rua num clarão âmbar de lâmpadas. Os dois mundos se fecham atrás dela — o eco do beco some, substituído pelo zumbido baixe de papel velho. Vitória respira fundo, mas é só ar de cera e poeira. A porta range mais uma vez, e depois: silêncio.

As prateleiras sobem até o teto. Vitória puxa lombadas uma a uma, os dedos deslizando por títulos estranhos em línguas que ela não lê. Nada. Só traços finos, só letras que não chamam pelo nome dela. O cheiro de poeira e cera de abelha enche o ar, e ela franze o nariz sem perceber.

O cadarço da sapatilha tropeça no chão de tábuas rangidentes. Uma pilha de encadernados escorrega — ela a segura a tempo, os livros voando de volta à prateleira. Então os dedos param. Um caderno fino, sem título, meio escondido atrás de um vaso de gerânio seco.

A página vira devagar. Lápis, traço a traço: o trecho de calçada embaixo do prédio, a padaria com a vitrine torta, o banco do parque onde ela desenha. Vitória passa o polegar sobre a linha do prédio e fica quieta. O papel arranha sob a unha, um som fino como agulha.

O caderno pesa pouco. Mas ela o segura com as duas mãos, os joelhos apoiados no chão de tábuas, como quem guarda algo que acabou de cair do céu. Um "Ah..." sai baixo, quase engolido pelo range das estantes ao redor. A luz âmbar cai sobre a página aberta, dourando cada traço de lápis.

Vitória arrasta um banquinho torto para junto da janela. Os pés descalços enfiados embaixo da assento, o caderno aberto no peitoril onde a chuva começa a tocar o vidro em gotas miúdas. Ela fecha os olhos por um segundo. Tiquetaque. Tiquetaque. O barulho enche a loja toda.

A janela deixa entrar o cheiro de chuva e a luz âmbar da lanterna lá fora. O lugar todo parece encolher, cabendo agora numa soleira e numa cadeira torta. Vitória murmura para o caderno, para a rua, para o beco: "É aqui que eu fico." As gotas continuam a subir pelo vidro. A lanterna fora treme, dourada, parecendo saber.

Doodara

O Sonho da Vitória

Guest