O sol transborda sobre a campina. As margaridas balançam na brisa morna, e o trevo murmura baixinho sob a grama. Mais à frente, um riacho tic-taca a sua canção quieta.
Pipfeather salta de margarida em margarida, as asas um borrão feliz. "Amigo? Amigo?" ela chama no ar ensolarado. As cabeças das flores apenas acenam. O trevo farfalha sob os seus pezinhos.
Ela recolhe a cauda rente e desce mais baixo, arrastando a terra morna. As margaridas balançam, mas não respondem. Ela pensa: Deve haver um amigo escondido bem debaixo dos meus pés.
Debaixo do trevo, um focinho cinzento não para de esterear. Pipfeather abaixa-se toda, põe uma margarida sobre a folha e recua em pontinhas de pé, três passos. Ela pensa: Fique aqui, focinho miúdo. Já volto.
ACHOCHÊ! O focinho do coelho estremece com tanta força que salta do trevo, as orelhas caindo chatas. As asas de Pipfeather tremem de risada. "Olá!" ela pia. "Eu sou a Pipfeather."
Ao lado do riacho, um ouriço está enrolado numa pedra morna, a pigarrear fofo nos seus próprios espinhos. A água tiquetaqueia junto ao seu redondo rosto. Pipfeather observa, com uma asa inclinada.
Pipfeather deixa cair uma pedrinha na água. Plá! O bocejo do ouriço se estica de espinho a espinho, maior do que todo o seu rosto redondo. Ele pisca devagarinho. "Mais?" ele murmura.
A grama explode: um pato amarelo avança em linha reta, quá-quá-quá, e SPLASH! Água fria molha cada pena, cada espinho, cada orelha. O coelho se esconde atrás da asa de Pipfeather, e o ouriço se enrosca bem apertado.
O pato pingando aponta o bico para o carvalho velho e grande. "CARVALHO!" ele grasna. O coelho espreita de trás da asa. O ouriço franze o olhinho, ainda enrolado.
Debaixo dos galhos largos do carvalho, círculos dourados de sol giram na grama. O focinho do coelho mexe. A orelha do ouriço estremece. O pato dá uma última volta cambaleando. Pipfeather dobra as asas e se aconchega. O riacho borbulha. As folhas farfalham.