Depois da chuva, Nico saltou pela janela e disparou pelos muros. Uma fileira de pegadas azuis brilhava sobre as pedras molhadas. Diante de um portão entreaberto, um mapa de giz escorregou até seus pés. Da janela, Frigolina observou tudo, sem piscar.
Nico atravessou a rua, contornou vasos de manjericão e subiu um muro baixo. As setas do mapa apontavam para um beco estreito, onde terminavam junto a uma poça brilhante. Ele encostou a pata na água. Plim! A poça refletiu um caminho inteiro de estrelas.
Nico tentou agarrar o mapa, mas o vento o ergueu como uma pipa. O papel voou sobre os telhados, dançando entre chaminés. Nico correu atrás dele, derrubou uma caixa de papelão e ouviu: toc! Sob a caixa, uma passagem minúscula brilhava com lanternas coloridas.
Nico atravessou a passagem, seguindo o brilho das lanternas. Do outro lado, surgiu exatamente sob a janela de casa. O mapa se abriu sozinho e desenhou uma ponte de giz até o peitoril. Nico levantou o focinho e chamou: “Frigolina, olha!”
Frigolina abandonou a janela pela primeira vez. Ela pisou na ponte de giz, devagar, enquanto Nico esperava do outro lado. Quando as estrelas da poça começaram a subir pelo muro, Frigolina arregalou os olhos. “Nico, o bairro inteiro está acordando!”
No peitoril, Nico e Frigolina se sentaram lado a lado. As lanternas piscavam, uma após outra, e novas trilhas apareciam entre muros, calçadas e telhados. Lá embaixo, a poça estrelada brilhava como uma janela aberta para o céu. Ninguém queria ser o primeiro a descer.
Depois, Nico desceu para a rua com Frigolina ao lado. Eles seguiram uma trilha nova, feita de pequenas estrelas que piscavam nas poças. O bairro parecia diferente sem ter mudado de lugar. Atrás deles, as lanternas continuaram acesas, marcando o caminho de volta.
Quando voltaram, deixaram o mapa de giz na janela. Uma seta apontava para a rua; outra, para os telhados. Frigolina ajeitou os óculos, e Nico encostou a pata no primeiro símbolo. Então, bem baixinho, uma nova pegada azul apareceu no parapeito.