Pipo voava rápido, rápido, rápido — rápido demais pra pensar. A borboleta dourada brilhava lá na frente, e ele ia atrás, deixando o ninho pra trás.
A borboleta sumiu entre as folhas. Pipo parou no ar. Olhou pra cima. As árvores eram altas demais. Ele cantou — piou, piou, piou — mas só o eco respondeu.
Ele pousou. Olhou pro chão. Um caminho de pedrinhas cinzas cortava a terra batida, brilhando como um rio de luz branca sob o musgo verde.
Pipo olhou pros pedrinhos. Um deles brilhava mais que os outros — puxando pra cima, puxando pra casa. Ele respirou fundo e começou a pular.
Pula. Pula. Pula. Cada pedrinha brilhava um pouquinho mais. Ele não olhava pra trás — só pros pedrinhos, pros pedrinhos, pros pedrinhos.
O caminho ficava mais claro. A floresta ia se abrindo. E lá no alto — um brilho diferente. Não era luz de pedrinha. Era luz de casa.
Pipo chegou. O ninho estava ali — no galho mais conhecido da floresta. E na borda, uma silhueta que ele reconheceu de olhos fechados.
A mamãe. Com o bico aberto, com as asas pronte pra abraçar. Pipo voou até ela num pulo só.
Pipo se aninhou junto dela. A mamãe coçou a cabeça fofa dele com o bico. Deitar ali era como virar a página de um livro quente.
Pipo fechou os olhos. O vento uivava longe, mas ali dentro era só paz. Ele pensou: a próxima vez que sentir medo, sei o que fazer.
Pedir ajuda. Usar a voz. Não tinha coragem maior que a voz quando a gente chama por quem a gente ama.
Pipo dormiu. E sonhou com borboletas douradas, com pedrinhos brilhantes, e com o caminho de volta pro ninho — sempre o caminho de volta.