O jardim estava cheio de canteiros com terra fofa e escura. O gatinho digitou suas patinhas na terra, cavando pequenos buracos com cuidado. Entrou três sementes redondas e lisas, uma por vez, como se estivesse guardando tesouros.
O rabo do gatinho balança rápido, rápido, rápido. Ele pressionou a terra ao redor das sementes com as orelhas bem erizadas, esperando — mas só havia terra marrom e um silêncio que não dizia nada.
Pipoca foi buscar a tigela de leite e despejou água demais nos canteiros. A terra virou lama. Suas patinhas ficaram grudadas, e ele coçou a orelha, frustrado, enquanto uma minhoca surpresa surgia e voltava a rastejar para baixo.
Ele pegou a pá pequena da mãe e raspou a terra com cuidado. As sementes estavam ali — brilhantes, secas, iguais. O bigode dele caiu num suspiro. Então ouviu um estalo leve, quase um sussurro, vindo de baixo dos vasos coloridos.
Naquela noite, uma chuva miúda começou a cair. O gatinho encostou o focinho no vidro frio da janela e viu as gotinhas rolarem devagar, como brilhos escorregando pelo vidro.
Pela manhã, o gatinho correu para o jardim e parou em seco. Broto minúsculos e verdes surgiram da terra úmida, tenros como dedos apontando para o céu.
Dias passaram. O gatinho regava cada canteiro com precisão — uma colherinha de água, nada mais. Batia a terra com carinho e se sentava para esperar, olhando fixo para os brotos que cresciam, cresceram, cresceram.
No último dia, uma flor amarela se abriu devagar, soltando um perfume quente que envolveu o gatinho inteiro. Ele fechou os olhos e ficou sossegado.
O jardim estava quieto, só o zumbido de uma abelha passando longe. A terra dos canteiros brilhava úmida e escura, pronta para novos segredos.
Naquela noite, o gatinho sonhou com sementes. Sonhou que cada uma delas guardava um sol pequenino, esperando só o momento certo de acordar.
Na manhã seguinte, o gatinho correu ao jardim. Outro broto verde surgira. E outro. E outro. Cada um mais alto que o anterior.
O gatinho sorriu. Ele não tinha pressa. Tinha só paciência — e isso era o bastante.