A aldeia de Rita era feita de ruas de pedras e casas com cores que pareciam pintadas pelo sol. Uma manhã, ela e seu avô caminharam juntos pela praça, em busca de uma maçã especial.
Entraram na padaria do senhor Tomás, onde o cheiro de pão fresco enchia o ar. O avô olhou para as prateleiras, e Rita sorriu — sabia que ali encontrariam algo bom.
Mas o senhor Tomás não tinha maçãs. Eles seguiram caminho, passando pelas flores do jardim da vovó que já fora, e pelas cores do mercado onde os fruits brilhavam como joias.
O avô apertou a mão de Rita. — Vamos ao pomar — disse ele. E ela sentiu o coração acelerar. O pomar era o lugar favorito deles, onde as árvores cresciam altas e cheias de segredos.
No pomar, cada árvore parecia uma torre gigante carregada de frutas. Rita olhou de cima para baixo, maravilhada, enquanto o avô escolhia a mais bonita de todas.
Foi então que ela a viu: uma maçã vermelha, perfeita, pendurada num galho que se curvava até o chão. O avô a colheu com cuidado e a enxugou na própria camisa.
De volta à cozinha, o avô abriu a boca para oferecer — mas Rita já tinha entendido. Com as duas mãos, ela partiu a maçã ao meio, na linha do cavaco. Uma metade para ele, outra para si.
O avô olhou para a metade dele e depois para Rita. Seus olhos brilham, e um sorriso largo se abriu. A cozinha ficou em silêncio, só o tique-tique do relógio na parede.
Sentaram-se à mesa, cada um com sua metade. Rita mordeu devagar, provando o doce suculento, e o avô fez o mesmo. O sabor preencheu o quarto inteiro.
Do lado de fora, o céu escurecia em tons de violeta, e a luz amarela da lâmpada da cozinha acendeu-se sozinha, envolviendo-os numa bolha de calmaria.